OS SUPRIDORES, DE JOSÉ FALERO
UMA RADIOGRAFIA DAS VIOLÊNCIAS NO BRASIL CONTEMPORÂNEO
Palavras-chave:
sociologia do romance, violência difusa, literatura, josé faleroResumo
O seguinte ensaio propõe uma análise do romance Os Supridores, de José Falero
(2020), abordando as formas de representação simbólica da violência desde uma
perspectiva sociológica. O objetivo é refletir sobre elementos narrativos do livro de
Falero, sobretudo em relação às formas como violência e conflitualidade são nele
figuradas. Discute-se em que medida este romance se enquadra no gênero literário
romance da violência, categoria que segundo Tavares-dos-Santos (2020) surge das
metamorfoses dos gêneros romance policial e romance noir, em rearranjos
agenciados por escritores latino-americanos. A violência, nestas obras, atua como
mediadora das relações sociais – o que leva à noção de “violência difusa” discutida
por Tavares-dos-Santos, em que a violência se expressa em distintas dimensões da
vida social. Os Supridores desvela o conflito social do Brasil contemporâneo, com a
fragilização das relações de trabalho, a degradação das condições de vida da classe
trabalhadora, em suma, com o avanço da agenda neoliberal de modelo latinoamericano. Com isso, conclui-se que, pelas especificidades da obra, o romance de
Falero pode ser entendido como expoente de uma nova fase do romance da violência,
na medida em que a violência, sendo além de difusa e polissêmica, é difundida, em
primeiro lugar, das estruturas políticas e econômicas que criam e mantêm as
desigualdades sociais. Através de um olhar radiográfico, Falero critica a
representação do território periférico como locus da violência (Magalhães, 2021, p.
105), isto é, locus de onde ela irradia. E ao fazer isso, não apenas questiona, como
inverte o vetor de difusão dessas violências.
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