Antonio Bandeira Trajano e a renovação pedagógica lida em livros escolares: ensinar Aritmética de modo intuitivo (final do século XIX)
Palavras-chave:
Antonio Bandeira Trajano, Aritmética, Livro escolar, Método intuitivo, Pedagogia prático-intuitivaResumo
Este artigo apresenta resultados de pesquisas que foram sendo desenvolvidas desde a iniciação científica ao doutorado. Ao trafegar por tantos caminhos possíveis de pesquisas, sempre me sentir atraído pelo tema o ensino intuitivo de Aritmética em escolas primárias, durante o final do século XIX. Ao tomar para análise a trilogia aritmética de Antonio Bandeira Trajano – Aritmética Primária, Aritmética elementar ilustrada e Aritmética progressiva –, cheguei à uma clara evidência de que o Brasil apropriou dos Estados Unidos não só um modelo pedagógico – o ensino intuitivo de Aritmética –, mas também um modelo gráfico-editorial de livro escolar. Para além disso, as três obras aqui analisadas são testemunhas das primeiras tentativas de constituição de uma pedagogia da Aritmética em escolas primárias brasileiras, a qual denominei de pedagogia prático-intuitiva.
Downloads
Referências
A PROVÍNCIA DE SÃO PAULO. Seção Livre. São Paulo, p. 2, 17 de outubro de 1879.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Autores e editores de compêndios e livros de leitura (1810-1910). Revista Educação e Pesquisa, São Paulo/SP, v. 30, n. 3, p. 475-491, 2004.
BRAZIL. Bibliografia, Rio de Janeiro, a. 1, n. 35, p. 2, 24 de agosto de 1883.
CALKINS, Norman Allison. Primeiras Lições de Coisas: manual de ensinamento elementar para uso dos paes e professores. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1886.
CHARTIER, Roger. ¿La muerte del libro? 1. ed. Santiago, Chile: LOM Ediciones, 2010.
CHARTIER, Roger. A mão do autor e a mente do editor. Tradução George Schlesinger. 1. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
CHERVEL, André. Histoire de l’enseignement du français du XVIIe au XXe siècles. Paris: Éditions Retz, 2006.
CHERVEL, André. La culture scolaire: une approche historique. Paris: Belin, 1998.
CHOPPIN, Alain. Le manuel scolaire au collège (préambule). In: CHOPPIN, Alain; COSTA-LASCOUX, Jacqueline (org.). Le monde arabo-musulman dans les manuels scolaires français. Lyon: École Normale Supérieure de Lyon, 2011. p. 19-27.
DARNTON, Robert. Edição e sedição: o universo da literatura clandestina no século XVIII. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
GERARD, François-Marie; ROEGIERS, Xavier. Concevoir et évaluer des manuels scolaires. Bruxelles: De Boeck, 1993.
HILSDORF, Maria Lucia Spedo. História da Educação: leituras. São Paulo: Thompson Learning, 2007.
IMPRENSA INDUSTRIAL. A instrução pública no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 10 de ago./30 set., 1876.
LEBRUN, Monique. Le Manuel scolaire: d’ici et d’ailleurs, d’hier à demain. Québec: Presses de l’Université du Québec, 2007.
MACHADO, Maria Cristina Gomes. O Decreto de Leôncio de Carvalho e os Pareceres de Rui Barbosa em debate: a criação da escola para o povo no Brasil no século XX. In: STEPHANOU, Maria; BASTOS, Maria Helena Camara (org.) História e memória da educação no Brasil: século XIX. v. 2. Petrópolis: Vozes, 2005. p. 91-103.
MATOS, Alderi Souza de. Os pioneiros presbiterianos do Brasil (1859-1900). São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
MESQUITA, Ilka Miglio. Memória/Identidades em relação ao ensino e formação de professores de história: diálogos com fóruns acadêmicos nacionais. 2008. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de Campinas (Unicamp), Campinas/SP, 2008.
MUNAKATA, Kazumi. O livro didático como mercadoria. Revista Pro-Posições, Campinas/SP, v. 23, n. 3 (69), p. 51-66, set./dez. 2012.
OLIVEIRA, Marcus Aldenisson. Antonio Bandeira Trajano e o método intuitivo para o ensino de Arithmetica (1879-1954). 2013. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Tiradentes/Unit, Aracaju/SE, 2013.
OLIVEIRA, Marcus Aldenisson. Aritmética escolar e o método intuitivo: Um novo saber para o curso primário (1870-1920). 2017. 280 f. Tese (Doutorado em Ciências) - Universidade Federal de São Paulo/Unifesp, Guarulhos/SP, 2017.
OLNEY, Edward. A primary arithmetic. New York: Seldon and Company, 1880.
PECK, William Guy. Elementary arithmetic: oral and written. New York: A. S. Barnes & Company (Davies & Peck’s), 1878.
PESTALOZZI, Johann Heinrich. Ecrits sur la méthode: tête, coeur, main. v. 1. Le-Mont-sur-Lausanne: LEP Editions, 2008.
PUIGGARI, Romão. Álbum de gravuras para o ensino da linguagem. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1898.
ROCHA, Heloísa Helena Pimenta; SOMOZA, Miguel. Dossiê Manuais Escolares: múltiplas facetas de um objeto cultural. Revista Pro-Posições, São Paulo, Unicamp, v. 23, n. 3, p. 21-31, 2012.
SCHELBAUER, Analete Regina. A constituição do método de ensino intuitivo na província de São Paulo (1870-1889). 2003. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo/USP, São Paulo, 2003.
SOËTARD, Michel. Johann Pestalozzi. (Coleção Educadores). Tradução Martha Aparecida Santana Marcondes, Pedro Marcondes, Ciriello Mazzetto. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010.
SOUZA, Rosa Fátima. Tecnologias de ordenação escolar no século XIX: currículo e o método intuitivo nas escolas primárias norte-americanas (1860-1880). Revista Brasileira de História da Educação, n. 9, p. 9-42, jan./jun. 2005.
SOUZA, Rosa Fátima. Templos de civilização: a implantação da escola primária graduada no Estado de São Paulo (1890-1910). São Paulo: Ed. da Unesp, 1998.
STEWART, Charles T. Mackenzie College e Escola Americana: notas para sua história e organização. São Paulo, 1932.
TEIVE, Gladys Mary Ghizoni. Uma vez normalista, sempre normalista: cultura escolar e produção de um habitus pedagógico (Escola Normal Catarinense, 1911-1935). Florianópolis: Insular, 2008.
TRAJANO, Antonio Bandeira. Aritmética elementar ilustrada: ensino teórico e prático. 68. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 191?.
TRAJANO, Antonio Bandeira. Aritmética primária. 12. ed. Rio de Janeiro: Cia. Typ. do Brazil, 1895.
TRAJANO, Antonio Bandeira. Aritmética progressiva. 68. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1935.
VALDEMARIN, Vera Teresa. A construção do objeto de pesquisa. In: SILVA, Marilda da; VALDEMARIN, Vera Tera (org.). Pesquisa em educação: métodos e modos de fazer [online]. São Paulo: Editora Unesp, Cultura Acadêmica, 2010. p. 46-65.
VALDEMARIN, Vera Teresa. História dos métodos e materiais de ensino: a escola nova e seus modos de uso. São Paulo: Editora Cortez, 2010.
VALDEMARIN, Vera Teresa. Método intuitivo: os sentidos como janelas e portas que se abrem para um mundo interpretado. In: SOUZA, Rosa Fátima de; VALDEMARIN, Vera Teresa; ALMEIDA, Jane Soares de. O legado educacional do século XIX. Araraquara: FCL/Unesp, 1998. p. 63-106.
VALENTE, Wagner Rodrigues. Uma história da matemática escolar no Brasil, 1730-1930. 2. ed. São Paulo: Annablume, Fapesp, 2007.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
História da Educação utiliza como base para transferência de direitos a licença CreativeCommons BY (creativecommons.org) para periódicos de acesso aberto - Open ArchivesIniciative (OAI), categoria greenroad.
Por acesso aberto entende-se a disponibilização gratuita na Internet, para que os usuários possam ler, fazer download, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou referenciar o texto integral dos documentos, processá-los para indexação, utilizá-los como dados de entrada de programas para softwares, ou usá-los para qualquer outro propósito legal, sem barreira financeira, legal ou técnica.
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença CreativeCommonsAttribution, que permite o compartilhamento do texto com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.







