Revisitando o desastre de Bhopal: os tempos da violência e as latitudes da memória
DOI:
https://doi.org/10.1590/15174522-018004305Palavras-chave:
Desastre de Bhopal, Epistemologias do Sul, Violência Lenta, Índia, Memória Social,Resumo
Na noite de 3 de Dezembro de 1984, um acidente numa fábrica da filial indiana da empresa estadunidense, Union Carbide Corporation (UCC), viria a desencadear o maior desastre industrial da história: o desastre de Bhopal.
Neste texto, a partir de uma recente trabalho etnográfico, propomos, cerca de 30 anos depois, um encontro com as vozes daqueles cujas vidas foram afetadas pelo desastre do Bhopal. Em particular, pretendemos questionar os processos pelos quais algumas vidas são desproporcionadamente expostas à violência e fracassam em receber justa compensação, bem como os itinerários pelos quais alguns sofrimentos são tendencialmente elididos da memória social do Ocidente. Finalmente, a partir das “epistemologias do Sul” propostas por Boaventura de Sousa Santos, analisaremos como a vulnerabilidade biográfica e corpórea, imposta pelo desastre, criou espaços de enunciação e narrativas de resistência.
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