Nova República: a violência patronal rural como prática de classe

Autores

  • Comissão Editorial Sociologias Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Regina Angela Landim Bruno

Palavras-chave:

questão agrária, patronato rural, Nova República.

Resumo

Durante a Nova República, disseminou-se junto às associações e sindicatos patronais rurais a certeza de “uma verdadeira guerra no campo” e a “inevitabilidade” da violência como única medida eficaz para conter as ações de ocupação de terras e a demanda por uma reforma agrária. O objetivo deste trabalho é mostrar, tendo como fonte o debate na grande imprensa, que a defesa e a prática da violência pelos grandes proprietários de terra e empresários rurais é estruturante e reflete um habitus que encadeia o passado e o presente numa mesma realidade. A violência revela-nos o conteúdo das relações de classe e expõe os componentes de velhos e novos padrões de conduta. Nos anos 80, ela funcionou como reforço à solidariedade e ao sentimento de pertencimento e serviu também para fortalecer ainda mais a convicção da superioridade dos proprietários sobre os trabalhadores rurais. Não se trata de um ato individual e esporádico; é uma violência ritualizada e institucionalizada, que implica a formação de milícias, a contratação de capangas, a lista dos marcados para morrer e os massacres. E nesse contexto, pouco se distingue o novo empresário do latifundiário tradicional, ou a voz “civilizada das urbes” da “rudeza dos grotões”.

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Biografia do Autor

Regina Angela Landim Bruno

Doutora, Professora do Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

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Como Citar

SOCIOLOGIAS, Comissão Editorial; BRUNO, Regina Angela Landim. Nova República: a violência patronal rural como prática de classe. Sociologias, [S. l.], v. 5, n. 10, 2008. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/5433. Acesso em: 18 ago. 2026.