Agronegócio, digitalização e novas formas de exclusão no Brasil

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.1590/1807-0337/e148502

Palabras clave:

digitalização, políticas públicas, Cadastro Ambiental Rural (CAR), Amazônia.

Resumen

As tecnologias digitais têm transformado profundamente diversas esferas da sociedade, inclusive a forma como as políticas públicas são formuladas e implementadas. Embora o tema da digitalização venha ganhando destaque nas Ciências Sociais, ainda são escassas as análises que exploram os riscos e as implicações da transformação digital das políticas públicas. Este artigo analisa o processo de digitalização das políticas de regularização ambiental no Brasil, com foco no Cadastro Ambiental Rural (CAR), apontando para a conformação de um imaginário sociotécnico centrado na intensificação produtiva. Analisaremos então sua aplicação no estado do Pará, a partir de três casos específicos: o setor da pecuária no sudeste paraense, a mineração em Canaã dos Carajás e a produção de grãos no planalto santareno. Do ponto de vista metodológico, o estudo se fundamenta em revisão bibliográfica, sistematização de dados secundários e cartográficos, além de trabalho de campo realizado entre 2017 e 2025, com 46 entrevistas com atores de diferentes setores e instituições. Os resultados indicam que a digitalização não se resume à migração de cadastros analógicos para bases digitais, mas implica uma reconfiguração da lógica das políticas públicas. O CAR, nesse sentido, reforça um imaginário sociotécnico centrado na intensificação produtiva, que altera as dinâmicas de territorialização da política. Embora as tecnologias digitais tenham potencial para a redução de custos e ampliação da transparência e do monitoramento territorial, sua apropriação por grupos hegemônicos pode gerar efeitos significativos de exclusão, invisibilização e expropriação de territórios tradicionalmente ocupados, gerando uma desconexão entre a formalização documental digital e a realidade territorial.

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Biografía del autor/a

Valdemar João Wesz Junior, Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA

Doutor e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ), com estágio sanduíche na Universidade de Bolonha (Itália), no doutorado de Economia e Estatística Agroalimentar. Graduado em Desenvolvimento Rural e Gestão Agroindustrial na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Atualmente é Professor Adjunto na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), no curso de Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar. Está vinculado ao Observatório de Políticas Públicas para Agricultura (OPPA/CPDA/UFRRJ). 

Karina Yoshie Martins Kato, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ

É doutora e mestra pelo Programa de Pós-graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ).

Matheus Sehn Korting, Universidade Federal do Rio Grande – FURG

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/ UFRRJ) e mestre pelo Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS).

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Publicado

2026-02-04

Cómo citar

WESZ JUNIOR, Valdemar João; MARTINS KATO, Karina Yoshie; SEHN KORTING, Matheus. Agronegócio, digitalização e novas formas de exclusão no Brasil. Sociologias, [S. l.], v. 28, n. 65, p. e148502, 2026. DOI: 10.1590/1807-0337/e148502. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/148502. Acesso em: 25 jul. 2026.

Número

Sección

Dossier: Agronegocios, Ciencia Y Tecnología