O Queijo do Marajó como tecnologia em disputa: entre tradições locais e regimes de certificação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1807-0337/e147873

Palavras-chave:

Construção Social da Tecnologia, Indicação Geográfica, espaços ambíguos de inovação, Amazônia Paraense.

Resumo

Este artigo analisa o Queijo do Marajó como uma tecnologia em disputa, marcada por ambiguidades sociomateriais que emergem da intersecção entre conhecimentos contextualizados, escassez de recursos e processos de certificação. A partir de pesquisas documentais e bibliográficas, bem como de trabalho de campo realizado em fevereiro de 2025 com produtores, agentes da defesa sanitária, extensionistas rurais e demais representantes de órgãos públicos nos Campos do Arquipélago do Marajó (PA), investigam-se as tensões entre práticas artesanais e exigências de padronização associadas à Indicação Geográfica (IG). A escassez do leite de búfala, elemento central na produção do queijo, intensifica essas tensões, revelando estratégias adaptativas dos produtores e reconfigurações nos modos de produção. Utilizando a perspectiva da Construção Social da Tecnologia (SCOT), o estudo destaca como diferentes grupos sociais relevantes atribuem significados diversos ao queijo, evidenciando a flexibilidade interpretativa e as controvérsias em torno da autenticidade e da inovação. Ao invés de tratar normas sanitárias, padrões da IG ou técnicas artesanais como elementos objetivos e fixos, a SCOT permite compreendê-los como construções sociais em disputa, mostrando que a tecnologia — que, neste caso, envolve os modos de fazer e reconhecer o queijo — é coproduzida por fatores sociais, culturais, econômicos e materiais. Com isso, o artigo contribui para a compreensão de como produtos territoriais são moldados por processos sociotécnicos complexos, configurando espaços ambíguos de inovação no contexto amazônico.

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Biografia do Autor

Monique Medeiros, Universidade Federal do Pará

Professora Adjunta no INEAF/UFPA, vinculada aos PPGs em Agriculturas Amazônicas e Etnodiversidade. Doutora e Pós-Doutora em Desenvolvimento Rural Sustentável (UFSC), com estágio na Université de Montpellier 3. Em 2025, foi pesquisadora visitante na Universidade da Geórgia (EUA), pelo programa Fulbright Junior Faculty Member Award, sob supervisão de Don Nelson, com o projeto Amazonian quilombola territories in transformation: between development projects and resistance strategies.

César Martins de Souza, Universidade Federal do Pará

Professor Associado no INEAF/UJFPA, inculada aos PPGs em Agriculturas Amazônicas e Etnodiversidade, ambos da UFPA. Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com Pós-Doutorado em Geografia/UFPA e em História/UFF. Foi Professor Visitante do Instituto de Ciências Sociais/Universidade de Lisboa em 2018.

Donald R. Nelson, University of Georgia

Professor de Antropologia na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos. Ele é um antropólogo ecológico que trabalha na interseção entre mudanças sociais e ambientais e o bem-estar humano. Possui doutorado pela Universidade do Arizona, no Departamento de Antropol Atuogia, com especialização secundária em Sensoriamento Remoto e Análise Espacial. É professor na Universidade da Geórgia desde 2009, após realizar um pós-doutorado no Tyndall Centre for Climate Change Research, na Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

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Publicado

19-03-2026

Como Citar

MEDEIROS, Monique; MARTINS DE SOUZA, César; NELSON, Donald Robert. O Queijo do Marajó como tecnologia em disputa: entre tradições locais e regimes de certificação. Sociologias, [S. l.], v. 28, n. 65, p. e147873, 2026. DOI: 10.1590/1807-0337/e147873. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/147873. Acesso em: 1 ago. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: Agronegócio, Ciência e Tecnologia