“L.B.A. ENTRA NA SELVA”: REPRESENTAÇÕES ACERCA DA INFÂNCIA E MATERNIDADE ENTRE POVOS INDÍGENAS NA ATUAÇÃO DA LEGIÃO BRASILEIRA DE ASSISTÊNCIA (1946 – 1964)

Autores/as

  • Bruno Sanches Mariante Silva Universidade Estadual Paulista - Campus de Assis
  • Rayane Maria de Souza Cavalcante Universidade de Pernambuco - Campus Petrolina

Palabras clave:

História das infâncias, Legião Brasileira de Assistência, Políticas indigenistas, Representações sociais

Resumen

Este artigo analisa as representações das infâncias e maternidade indígenas nas ações da Legião Brasileira de Assistência entre 1946 e 1964, a partir da leitura crítica de 79 edições do Boletim da L.B.A., publicação oficial da entidade. Criada em 1942 com objetivos inicialmente voltados ao apoio de soldados e suas famílias, a LBA passou, no pós-guerra, a priorizar a assistência à maternidade e à infância, especialmente entre as camadas populares. Embora centrada nas áreas urbanas, a instituição também atuou, ainda que pontualmente, junto a povos indígenas, promovendo ações fortemente marcadas por estereótipos, paternalismo e ideais civilizatórios. As campanhas e representações do Boletim revelam o esforço da instituição em integrar as infâncias indígenas ao projeto nacional desenvolvimentista, reforçando a tutela e apagando as identidades culturais desses povos. O estudo dialoga com os campos da história das infâncias, da assistência social e das políticas indigenistas, evidenciando como o discurso do cuidado serviu como instrumento de controle social e apagamento de saberes e práticas indígenas. Ao examinar essas representações, o trabalho contribui para desnaturalizar concepções universais de infância e maternidade, reafirmando a importância de se valorizar a pluralidade de formas de existir e educar no território brasileiro.

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Biografía del autor/a

Bruno Sanches Mariante Silva, Universidade Estadual Paulista - Campus de Assis

Doutor e mestre em História pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2018. Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2008. É professor adjunto da Universidade de Pernambuco, Campus Petrolina. Desenvolve pesquisas nas áreas de memória social, história das mulheres e relações de gênero, com estudos sobre etnicidade, patrimônio cultural, história da saúde, políticas de maternidade e infância, história da assistência social no Brasil, primeiro-damismo e trajetórias biográficas. É associado à seção Pernambuco da Associação Nacional de História (ANPUH) e coordenador do GT estadual de História das Infâncias.

Rayane Maria de Souza Cavalcante, Universidade de Pernambuco - Campus Petrolina

Bacharela em Direito pela Faculdade de Petrolina (FACAPE) e licenciada em História pela Universidade de Pernambuco (UPE). Advogada.

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Publicado

2026-04-29

Cómo citar

Silva, B. S. M., & de Souza Cavalcante, R. M. (2026). “L.B.A. ENTRA NA SELVA”: REPRESENTAÇÕES ACERCA DA INFÂNCIA E MATERNIDADE ENTRE POVOS INDÍGENAS NA ATUAÇÃO DA LEGIÃO BRASILEIRA DE ASSISTÊNCIA (1946 – 1964). Revista Do Instituto Histórico E Geográfico Do Rio Grande Do Sul, (169). Recuperado a partir de https://seer.ufrgs.br/index.php/revistaihgrgs/article/view/148380