DO GRAFISMO À RAZÃO GRÁFICA: CULTURA ESCRITA E CARTOGRAFIA INDÍGENAS NAS REDUÇÕES GUARANIS (SÉCULO XVIII)
Palabras clave:
Reduções Guaranis, Razão Gráfica, Escrita Indígena, Cartografia Indígena.Resumen
Entre 1610 e 1767 jesuítas viveram entre os Guarani no Paraguai colonial em povoados chamados Reducciones (Reduções). A proposta jesuítica era, através da evangelização, provocar uma transformação no modo de vida e nas pautas culturais dos Guarani. Em uma espécie de pacto, parte dos Guarani aceitou a vida nestes povoados. Mas o fez sem necessariamente abrir mão de todo seu modo de ser tradicional. Assim, conhecimentos indígenas e conhecimentos europeus conviveram, o que provocou intercâmbios. O grafismo, milenarmente expressado pelos Guarani em sua cultura material, encontrou na escrita e na cartografia trazidas pelos jesuítas um meio de comunicação que foi apropriado e utilizado. Os Guarani não apenas forneceram informações culturais e geográficas para que os jesuítas redigissem seus diários, crônicas, informes e elaborassem seus mapas. A documentação que chegou até a atualidade permite ver uma agência indígena clara ao adotar a Razão Gráfica e produzir textos e mapas em colaboração com os jesuítas ou de forma autônoma. A partir de alguns exemplos e de uma necessária contextualização, este artigo pretende demonstrar o papel da cultura escrita e da cartografia indígenas nas Reduções Guaranis, sobretudo no século XVIII.
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