A IGREJA DE SÃO MIGUEL ARCANJO ATRAVÉS DOS RELATOS DE VIAJANTES: COTEJAMENTO DOCUMENTAL E CORREÇÕES HISTORIOGRÁFICAS (1756-1937)
Palavras-chave:
Missões Jesuíticas, São Miguel Arcanjo, Relatos de viajantes, Historiografia da arquitetura, Patrimônio cultural.Resumo
Este artigo realiza o cotejamento sistemático de vinte e três relatos que descreveram a igreja de São Miguel Arcanjo entre 1756 e 1937, analisando convergências e dissonâncias nas descrições arquitetônicas. Organizado em três períodos históricos – templo em funcionamento (1756-1801), ruína progressiva (1789-1900) e consolidação patrimonial (1937) –, o estudo emprega análise estratigráfica na qual cada relato constitui uma camada temporal de observação. A investigação concentra-se especialmente na questão da configuração das torres da fachada principal, demonstrando que interpretações historiográficas consolidadas sobre a existência de duas torres carecem de respaldo documental. Quatro relatos de observadores que examinaram o templo ainda intacto ou em ruína inicial (1756-1858) especificam explicitamente a presença de uma única torre localizada do lado direito da fachada, enquanto nenhum documento menciona duas torres. O cotejamento revela convergências notáveis em aspectos como frontão triangular, dimensões (aproximadamente 350x120 palmos), materialidade (cantaria de arenito sem argamassa) e espacialidade (três naves). Os resultados evidenciam a necessidade de submeter leituras canônicas ao crivo documental sistemático e destacam a relevância metodológica do cotejamento de fontes para o refinamento do conhecimento sobre a arquitetura missioneira.
Downloads
Referências
AMBROSETTI, Juan Bautista. Misiones jesuíticas argentinas. Buenos Aires, 1892.
AVÉ-LALLEMANT, Robert. Viagem pela Província do Rio Grande do Sul (1858). Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1953.
AZARA, Félix de. Viajes por la América Meridional. Madrid: Espasa-Calpe, 1873.
BONIFÁCIO, Diego Giovani. O risco arquitetônico do templo jesuítico-guarani de São Miguel Arcanjo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2024.
CARDIEL, José. Las Misiones del Paraguay. Madrid: Dastin, 1994.
CARDIFF, Guillermo Furlong. Misiones y sus pueblos de guaraníes. Buenos Aires: Balmes, 1946.
COSTA, Lúcio. Documentos de trabalho. Rio de Janeiro: IPHAN, 1995.
GAY, João Pedro. Invasão paraguaia na fronteira brasileira do Uruguai. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 26, 1863.
GOLIN, Tau. A Guerra Guaranítica: como os exércitos de Portugal e Espanha destruíram os Sete Povos dos jesuítas e índios guaranis no Rio Grande do Sul. Passo Fundo: EDIUPF; Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1999.
GRAEL, Francisco. La Guerra Guaranítica. Buenos Aires: Emecé, 1998.
GUTIÉRREZ, Ramón (org.). As missões jesuíticas dos guaranis. Rio de Janeiro: UNESCO; Banco Safra, 2005.
MAYERHOFER, Lucas. Reconstituição do Povo de São Miguel das Missões. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n. 11, 1947.
MELIÁ, Bartomeu. El Guaraní conquistado y reducido. Asunción: CEADUC, 1997.
MOUSSY, Jean Antoine Victor de Martin de. Description géographique et statistique de la Confédération Argentine. Paris: Firmin Didot, 1864.
OROSZ, László. Descripción de la Compañía de Jesús en la Provincia del Paraguay. Córdoba: IHCA, 1984.
PINHEIRO, José Feliciano Fernandes (Visconde de São Leopoldo). Anais da Província de São Pedro. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1839.
PORTO, Aurélio. História das Missões Orientais do Uruguai. Porto Alegre: Livraria Selbach, 1954.
REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO. Diário da expedição de Gomes Freire de Andrada às Missões do Uruguai. Rio de Janeiro, tomo XV, 1853.
SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem ao Rio Grande do Sul. Brasília: Senado Federal, 2002.
SILVEIRA, Hemetério José Velloso da. As Missões Orientais e seus antigos domínios. Porto Alegre: Companhia União de Seguros Gerais, 1909.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Diego Giovani Bonifacio

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Acesse os termos de responsabilidade completos nos dados sobre a revista.



