OS GUARANI-MISSIONEIROS NO CENTRO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL APÓS A EXPULSÃO DA COMPANHIA DE JESUS DOS IMPÉRIOS COLONIAIS: ANÁLISE DO CASO DA ALDEIA DE SÃO NICOLAU DA CACHOEIRA (SÉCULOS XVIII E XIX)
Keywords:
Guaranis, São Nicolau da Cachoeira., Missões Jesuítica, Livros de Batismo, Etnocídio.Abstract
O artigo objetiva analisar a população guarani assentada no atual centro do estado do Rio Grande do Sul após a Guerra Guaranítica (1753-1756) até aproximadamente a tomada definitiva do espaço missioneiro pelos lusitanos, em 1801. Analisar-se-á dados coletados nos arquivos locais (municipais e estaduais) para demonstrar como a população nativa oriunda da região das Missões Jesuíticas circulou e se fixou em determinados locais que considerava território ancestral. Um dos pontos principais da análise é a aldeia de são Nicolau da Cachoeira. Os livros de batismo dessa igreja serão o principal recurso para demonstrar que a localidade serviu como importante ponto de apoio para a Administração portuguesa avançar em suas políticas de desenraizamento da população nativa a fim de facilitar o esbulho das terras ancestrais e, sobretudo, para possibilitar o avanço colonial em direção ao oeste gaúcho. O Diretório dos Índios (1757) levou em frente, na região, um etnocídio, como será evidenciado. O marco final escolhido, 1801, é o ano em que José Borges do Canto, com o aval do governador da capitania, invadiu o território missioneiro anexando-o ao império luso. Deseja-se demonstrar com nitidez as tentativas portuguesas para obter súditos para a Coroa, além de analisar como a esses novos súditos indígenas foram impostas políticas nitidamente etnocidas, que levaram ao apagamento desses sujeitos da historiografia regional e nacional. Como parte de uma pesquisa maior, esse artigo traz informações que ainda estão sendo trabalhadas, mas que já revelam a pressão estatal e a resistência de alguns sujeitos indígenas frente ao colonizador.
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