A RESPONSABILIDADE DO ARCONTE E A REPRESENTAÇÃO DO ANTROPOCENO NO ROMANCE PÓS-APOCALÍPTICO ORYX E CRAKE, DE MARGARET ATWOOD
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.146816Resumo
A partir da noção de arconte, conforme proposta por Sonia Torres (2021), pretendemos analisar Oryx e Crake, de Margaret Atwood, com foco no contexto, nas ações e nos legados do Homem das Neves, personagem que assume o papel de arconte ao preservar e reconstruir a memória coletiva da humanidade extinta. A metodologia parte de uma análise textual e comparativa, cruzando literatura, filosofia e estudos ambientais para entender como essa figura opera dentro da narrativa. Amparamos nossa leitura em Foucault (2019) e Barthes (2011), explorando o discurso e a construção da memória, além de autores como Negri (2008) e Caldeira (2000), para discutir a segregação social e o domínio das corporações no romance. Observamos como o protagonista manipula sua posição de guardião da história, criando um sistema religioso que mistura fatos e invenção, em uma tentativa tanto de preencher o vazio do colapso quanto de se legitimar. Concluímos que a figura do arconte em Oryx e Crake não apenas ressignifica a memória e o poder da narrativa, mas também reflete a fragilidade humana diante do Antropoceno, onde o que se conta sobre o passado pode ser tão determinante quanto o próprio futuro.
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