NOTAS SOBRE A EMERGÊNCIA DO ESPAÇO NA FICÇÃO BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
DOI :
https://doi.org/10.22456/2238-8915.146861Résumé
Em uma conferência realizada em 1967 na Tunísia, Michel Foucault afirmou que o século XX talvez fosse “a época do espaço”. Tal apresentação contribuiu para o que ficou conhecido mais tarde como “virada espacial”. Se a “virada espacial” foi marcada, entre outras coisas, pela ênfase dada aos espaços socialmente produzidos, o Antropoceno pode ser descrito como uma época geológica marcada pela emergência do espaço em dupla chave: como aparição monstruosa, a “intrusão de Gaia” (Stengers) ou o “Planetário” (Chakrabarty), e como acentuação das crises climáticas, exigindo um “retorno ao terrestre” (Dünne). Nos últimos anos, escritores brasileiros como Daniel Galera (2019, 2024) e Carola Saavedra (2021) têm repensado suas próprias produções literárias e os desafios da narrativa frente aos desastres ambientais. O espaço em emergência climática e os espaços outros (influenciados por cosmologias ameríndias) aparecem também de maneira contundente em trabalhos recentes de Joca Reiners Terron e Veronica Stigger. Dessa forma, o objetivo deste artigo é mapear alguns dos desafios que se impõem à produção literária brasileira frente ao Antropoceno, dando ênfase ao espaço em sua dupla emergência.
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