Revisitando a estrutura dos blends lexicais de lapsos de fala (BL)
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.141441Resumen
Este artigo examina blends lexicais oriundos de lapsos de fala (BL), resultantes de desvios não intencionais da fala devido a falhas no processamento linguístico. A partir de uma base de dados com 48 BLs, nossa análise segue critérios morfofonológicos como (i) bases envolvidas; (ii) estruturas silábicas-alvo e resultantes; (iii) constituintes internos da sílaba (onset e rima (núcleo e coda)); e (iv) pé-métrico. Utilizamos a Hierarquia Prosódica (Ito e Mester, 2012) para organizar a estrutura prosódica dos enunciados, focando na sílaba e no pé métrico como lócus relevante para o processo de blending (Vital & Gonçalves, 2023). Os resultados indicam que os BLs são formados pelas mesmas forças que os blends fonológicos e morfológicos neológicos, entre as quais destacamos o compartilhamento de estatuto silábico entre bases e a escansão de pés métricos. Além disso, os BLs mostram que a semelhança segmental não é apenas um fator pragmático de sucesso, como apontam Vital & Gonçalves (2023) para blends neológicos, mas é também um fator relevante em contextos não intencionais de produção de blends, isto é, no caso dos BLs, a semelhança segmental parece ser ainda mais crucial do que nos blends neológicos.
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