DAS RUÍNAS DA MINERAÇÃO ÀS PAISAGENS ARRUINADAS NO CINEMA DE FICÇÃO CIENTÍFICA
UM PERCURSO DE MEMÓRIAS, IMAGENS E ESPECULAÇÕES
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.146769Resumo
Este artigo busca entrelaçar percursos de pesquisa sobre os impactos socioambientais da mineração com reflexões oriundas de experimentações coletivas em torno do cinema, entendido como um dispositivo narrativo e imagético capaz de acionar a crítica e a imaginação política. Argumenta-se que a ficção científica — com seus mundos, paisagens perturbadas e futuros imaginados — constitui um poderoso dispositivo para pensar, especular e imaginar coletiva e ecologicamente caminhos alternativos em meio ao “tempo das catástrofes”, conforme descrito por Isabelle Stengers. A partir da análise de uma experiência de cine-debate com jovens, realizada durante um ciclo de curtas-metragens de ficção científica de caráter distópico, conclui-se que esse gênero — ao construir mundos (aparentemente) ficcionais, arruinando as paisagens multiespécies e elevando as ruínas do Antropoceno ao status de protagonistas — realiza um movimento especulativo ancorado nos efeitos geológica e ecologicamente destrutivos do capitalismo. Tal movimento aproxima os espectadores de olhares e sensibilidades atentos à “arte das consequências”, capazes de evidenciar as ruínas reais do Antropoceno.
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