ANTI-HEROÍNAS PROFETISAS DAS DISTOPIAS PÓS-APOCALÍPTICAS DO SUL GLOBAL
AS REVELAÇÕES DAS PROTAGONISTAS DE BUGÔNIA, DE DANIEL GALERA, E LAS INDINGAS, DE AGUSTINA BAZTERRICA
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.146766Abstract
O presente artigo expande a discussão iniciada em A jornada do anti-herói no romance distópico contemporâneo ou o Prometeu pós-moderno (2024) para analisar duas anti-heroínas profetisas de distopias pós-apocalípticas do Sul Global. Analiso Chama, protagonista de “Bugônia” (2021), de Daniel Galera, e a narradora anônima de Las Indignas (2023), de Agustina Bazterrica, como personagens ligadas à natureza, que reformulam o papel de anti-heroínas ao revelarem um novo mundo após o colapso e articularem novas formas de existência. Ambas as protagonistas reinscrevem a figura da profetisa nas distopias pós-apocalípticas como mediadora entre humano e natureza, o que as aproxima do arquétipo de bruxa. Com base no conceito de distopia crítica, de Moylan e Baccolini, e em reflexões sobre ecocrítica e feminismo, de Donna Haraway, o presente artigo propõe que essas anti-heroínas configuram uma nova possibilidade profética na ficção distópica, com a afirmação de novos futuros possíveis que emergem das ruínas.
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