ENTRE FIOS DE MEMÓRIA E RESISTÊNCIA: escrevivência/exprevivência de professoras pretas do Parfor
Parole chiave:
educação antirracista; formação de professores; racismo religioso; educação básicaAbstract
O presente artigo investiga as trajetórias formativas de mulheres pretas egressas do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor/UFRRJ), compreendendo suas memórias e narrativas como práticas políticas e epistemológicas de ‘reexistência’. Ancorado aos conceitos de Escrevivência de Conceição Evaristo (2018), nas Memórias Subterrâneas de Pollak (1989) e no Paradigma Indiciário de Carlo Ginzburg (1992), o estudo propõe uma metodologia que articula escuta sensível, ancestralidade e ética do afeto como fundamentos da pesquisa em educação. As Escrevivências das professoras revelam modos de resistência e produção de saber que tensionam as estruturas eurocêntricas da universidade e da formação docente. Ao narrarem suas experiências, essas mulheres reconstroem o próprio lugar de fala, transformando o vivido em verbo político e a dor em conhecimento. Tal movimento constitui o que denominamos como Exprevivência, conceito cunhado por uma das autoras e derivado da Escrevivência - entendido como expressão coletiva de resistência que une experiência, vivência e ancestralidade. Os resultados apontam que as Escrevivências e Exprevivências das egressas do Parfor/UFRRJ constituem epistemologias próprias, fundamentadas na ancestralidade e na memória coletiva. As professoras negras, ao narrarem suas trajetórias, deslocam o olhar sobre o que é considerado “científico” e reposicionam o corpo e a emoção como fontes legítimas de saber. Suas histórias reafirmam que a docência é também um ato político, e que a universidade precisa aprender a ouvir o que antes “classificava como ruído”. As vozes dessas educadoras pretas rompem silêncios históricos, constroem novas epistemologias e afirmam a ancestralidade como categoria formadora. A partir delas, a educação se refaz como território de reexistência, onde memória, palavra e afeto se tornam ferramentas de libertação e de construção de um futuro mais justo e plural.
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