ENTRE ALGORITMOS E CÁTEDRAS: dilemas éticos da inteligência artificial na formação docente e na produção acadêmica no ensino jurídico

Autores

Palavras-chave:

Autonomia docente. Ética profissional. Formação jurídica. Inteligência artificial. Produção acadêmica.

Resumo

O estudo analisa como a inteligência artificial transforma práticas docentes e produz dilemas éticos que atravessam a autoria, a integridade e a formação acadêmica no campo jurídico. A pesquisa delineia o tema ao examinar tensões que emergem quando tecnologias inteligentes passam a intervir em processos interpretativos, reorganizando modos de ensinar, avaliar e produzir conhecimento. O objetivo consiste em investigar criticamente esses deslocamentos, identificando seus efeitos sobre responsabilidades profissionais e sobre sensibilidades pedagógicas que se redefinem diante de respostas automatizadas. A metodologia adopta abordagem qualitativa de natureza bibliográfica, articulando movimentos analíticos que relacionam debates éticos, transformações tecnológicas e exigências formativas próprias do ensino superior em Direito. O percurso interpretativo revela que a presença da inteligência artificial não atua de maneira neutra, pois introduz camadas de complexidade que exigem leitura hermenêutica cuidadosa e atenção renovada aos critérios de rigor e autenticidade que sustentam o trabalho académico. A análise mostra que a docência jurídica convive com transições que se acumulam gradualmente, afetando percepções sobre autonomia profissional e sobre o papel docente na mediação do conhecimento. Os resultados preliminares indicam que tais transições formulam novas zonas de incerteza ética que ainda se encontram em processo de elaboração, convidando a novas investigações que aprofundem relações entre tecnologia, responsabilidade e formação docente. Essas observações evidenciam que o fenómeno permanece em evolução contínua, exigindo abordagens investigativas sensíveis a mudanças graduais que redefinem práticas académicas e configuram novos desafios para instituições formativas, cuja atuação se vê entrelaçada a transformações que ainda não apresentam contornos plenamente discerníveis no presente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Clodoaldo Matias da Silva, UFAM

Mestrando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Especialista em Ensino de Filosofia, Sociologia e História; Neuropsicopedagogia e Psicanalise Clínica; Psicanálise, Psicoterapia e Psicopatologia do Adolescente; e, Cultura Indígena e Afro-brasileira pela Faculdade do Leste Mineiro - FACULESTE. Graduado em Geografia pelo Centro Universitário do Norte - UNINORTE. Membro do Núcleo de Produção Cientifica e Editoração do Curso de Direito da UEA - NEDIR/UEA. Editor Assistente da Equidade: Revista Eletrônica de Direito da UEA. E-mail: cms.1978@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3923-8839.

Denison Melo de Aguiar, UEA

PhD em Direito pela UniSalento (Itália-2024). Doutor em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGD/ UFMG). Mestre em Direito Ambiental pelo Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (PPGDA/ UEA). Graduado em Direito pela Universidade da Amazônia (UNAMA/PA). Membro do Núcleo de Produção Cientifica e Editoração do Curso de Direito da UEA - NEDIR/UEA. Editor Chefe da Equidade: Revista Eletrônica de Direito da UEA. E-mail: denisonaguiarx@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5903-4203.

Referências

ANDRADE, J. L.; FRANCISCO, A. S. L; MENEGUSSI, R. A influência da inteligência artificial na educação. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 4, ed. 7, v. 08, p. 50-60. jul. 2019.

ARAÚJO, M. O uso de inteligência artificial para a geração automatizada de textos acadêmicos: plágio ou meta-autoria? Logeion: Filosofia da Informação, v. 3, n. 1, 2016.

BEZERRA, Jônatas dos Santos; SILVA, Clodoaldo Matias da. A formação de professores de matemática: desafios, inovações e políticas educacionais no contexto amazônico. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 10, n. 12, p. 3114–3130, 2024.

BRYSON, J.; WINFIELD, A. Standardizing Ethical Design for Artificial Intelligence and Autonomous Systems. Computer, v. 50, n. 1, p. 116-119, 2017.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2014.

GATTI, B. A. Formação de professores no Brasil: características e problemas. Educação & Sociedade, v. 31, n. 113, p. 1355-1379, 2010.

GONÇALVES, L. S. Privacidade de Dados em Sistemas de IA Jurídica. Revista de Ética em Tecnologia, v. 12, n. 4, p. 56-67, 2021.

GONZALEZ ARENCIBIA, Mario; MARTINEZ CARDERO, Dagmaris. Dilemas éticos en el escenario de la inteligencia artificial. Economía y Sociedad, Heredia, v. 25, n. 57, p. 93-109, June 2020.

HARTMANN PEIXOTO, F. Inteligência artificial e direito: convergência ética e estratégica. Curitiba: Alteridade Editora, 2020.

HOLMES, W.; BIALIK, M.; FADEL, C. Artificial Intelligence in Education: promises and implications for Teaching & Learning. Boston: Center for Curriculum Redesign, 2019.

LEE, K.-F. Inteligência artificial. Tradução de Marcelo Barbão. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2019.

NALINI, Jose Renato. Ética geral e profissional. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.

PERES, F. A literacia em saúde no ChatGPT: explorando o potencial de uso de inteligência artificial para a elaboração de textos acadêmicos. Ciência & Saúde Coletiva. v. 29, n. 1, p. 1-13, 2024.

PETROU, S; KWON, J; MADAN, J. A practical guide to conducting a systematic review and meta-analysis of health state utility values. Pharmacoeconomics. v. 36, p. 1043-1061, 2018.

POZZEBON, E.; FRIGO, L. B.; BITTENCOURT, G. Inteligência Artificial na educação universitária: quais as contribuições? Revista do CCEI, Bagé, RS, v. 8, n.13, p. 34-41, 2004.

SCHERER, M. Regulating Artificial Intelligence Systems: Risks, Challenges, Competencies, and Strategies. Harvard Journal of Law & Technology, v. 29, n. 2, p. 354-400, 2016.

SILVA, Clodoaldo Matias da. Entre o diálogo e o conflito: os desafios de ensinar democracia em um Brasil polarizado. Marupiara: Revista Científica do Centro de Estudos Superiores de Parintins, v. 10, n. 1, p. 01–17, jan./jun. 2025.

SILVA, Clodoaldo Matias da; SANTOS, Adriane de Oliveira; OLIVEIRA, Maria das Graças Maciel de; ALMEIDA, Janderson Gustavo Soares de. Integrating artificial intelligence and edutainment: transforming learning through educational technological innovation. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 10, p. 1753–1768, 2025.

SILVA, M. P.; SANTOS, R. A. A Evolução da IA no Aconselhamento Jurídico. In: Conferência Internacional sobre Inteligência Artificial e Direito. p. 32-45, 2018.

SMITH, J. O Impacto da Inteligência Artificial no Sistema Jurídico. Revista Jurídica, v. 45, n. 2, p. 87-101, 2020.

SOUZA, M. N. M. de et al. Do GPT 3 ao ChatGPT: potencialidades e alertas no enfoque da produção acadêmica brasileira. Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, v. 16, n. 47, p. 599–620, 2023.

VICARI, R. M. Tendências em inteligência artificial na educação no período de 2017 a 2030: Sumário executivo. Brasília: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI, Serviço Social da Indústria, 2018.

Downloads

Publicado

01-08-2026

Como Citar

DA SILVA, C., & de Aguiar, D. (2026). ENTRE ALGORITMOS E CÁTEDRAS: dilemas éticos da inteligência artificial na formação docente e na produção acadêmica no ensino jurídico. Revista Húmus, 16(48). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/152395

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.