DESMONTAGENS DA BRANQUITUDE ATRAVÉS DA HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO EUROPEIA NO RIO GRANDE DO SUL
ENTRE ARQUIVOS, NARRATIVAS E FICÇÕES
Palavras-chave:
branquitude, ideologia de branqueamento, imigraçãoResumo
Este artigo propõe apresentar uma breve análise sobre as tramas que interseccionam as políticas coloniais imigrantistas no século XIX e seus reflexos na ideologia de branqueamento e na constituição da branquitude, fazendo um recorte de enfoque na imigração europeia para o estado do Rio Grande do Sul. A partir do percurso de pesquisa no campo da psicologia social, da análise dos estudos críticos da branquitude e dos estudos raciais e decoloniais e através da metodologia da cartografia ficcional, busco a produção de contra-narrativas que possibilitem desfazer as ficções racistas em torno de um certo mito de idealização do legado da imigração europeia-branca como estruturante da cultura gaúcha. Assim, este trabalho aposta na produção de políticas da memória, ou seja, na implicação ética sobre a importância de retornar ao passado como caminho para entender o presente de uma história que se reatualiza no cotidiano do racismo anti-negro e anti-indígena e da supremacia branca. Assumindo um percurso cartográfico em constante abertura, esta pesquisa vem cultivando a produção de um campo micro-político onde seja possível assentar essas histórias em outro território - contra-hegemônico, anticolonial e antirracista -, um território fértil a reativar as potências da formação cultural afro-gaúchas e indígenas, abrindo, assim, possibilidades de rachaduras no solo duro do pacto narcísico da branquitude.
DOI: https://doi.org/10.5935/2358-3541.2024152684-pt
Downloads
Referências
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura - Obras escolhidas I. São Paulo: Brasiliense, 1985
BENTO, Maria Aparecida. Branqueamento e branquitude no Brasil. In: PIZZA, Edith et al. Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2002, 5-58.
BENTO, Cida. O Pacto da Branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
BERNARDINO-COSTA, J.; BRITO, Y. O “negro-vida” e o “branco-tema”: apontamentos sobre uma nova patologia social do branco brasileiro. Sociedade e Cultura, Goiânia, v. 25, 2022. Disponível em: <https://revistas.ufg.br/fcs/article/view/72743>. Acesso em: 21 jun. 2025.
CARDOSO, Lourenço. Branquitude acrítica e crítica: A supremacia racial e o branco anti-racista. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, v. 8, n. 1, p. 607-630, 2010.
CARTACAPITAL. Santa Catarina aprova fim de cotas raciais em universidades estaduais. CartaCapital, 10 dez. 2025. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/santa-catarina-aprova-fim-de-cotas-raciais-em-universidades-estaduais/. Acesso em: 13 dez. 2025.
CUPANI, Alberto. A ciência como conhecimento ‘situado’. In: Filosofia e história da ciência no Cone Sul: 3º Encontro. Campinas: AFHIC, 2004. p. 12-22.
DIANGELO, Robin; BENTO, Cida, AMPARO, Thiago. O branco na luta antirracista: limites e possibilidades. In: SCHUCMAN, Lia Vainer (Org.). Branquitude: diálogos sobre racismo e antirracismo. São Paulo: Fósforo, 2023.
EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA PORTUGAL. Grada Kilomba, O Barco /The Boat - BoCA setembro 2021. YouTube, 11 jan. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dRBhjl6goDM&t=199s . Acesso em: 13 dez. 2025.
FALCONERIS, Ana Carolina. Legislação brasileira: controle e embranquecimento do mercado de trabalho livre. Museu da Imigração, 2022. Disponível em: < https://museudaimigracao.org.br/blog/migracoes-em-debate/legislacao-brasileira-controle-e-embranquecimento-do-mercado-de-trabalho-livre >. Acessado em: 20 out. 2024.
FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
FRANKENBERG, Ruth. A miragem de uma branquidade não marcada. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.
GOLIN, Tau. Os cotistas desagradecidos. Geledés – Instituto da Mulher Negra, 07 jun. 2014. Disponível em: https://www.geledes.org.br/os-cotistas-desagradecidos/. Acesso em: 8 set. 2025.
HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminino e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, v. 5, p. 7-41, 1995.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação - Episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
KILOMBA. Grada. Heroines, Birds and Monsters. GoodmanGallery. Disponível em: https://www.goodmangallery.com/artist/grada-kilomba. Acesso em: 10 ago. 2024
MOMBAÇA, Jota. Rumo à uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência. São Paulo: Fundação Bienal; OIP , 2017. Disponível em: < https://issuu.com/amilcarpacker/docs/rumo_a_uma_redistribuic__a__o_da_vi >. Acessado em: 7 jun. 2024.
MILLS, Charles W. O contrato racial. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2016.
SCHUCMAN, Lia Vainer (Org.). Branquitude: diálogos sobre racismo e antirracismo. São Paulo: Fósforo, 2023.
SEYFERT, Giralda. Colonização, imigração e a questão racial no Brasil. Revista USP, São Paulo, n.53, p. 117-149, março/maio 2002.
SOUZA, Vanderlei Sebastião de; SANTOS, Ricardo Ventura. O Congresso Universal de Raças, Londres, 1911: contextos, temas e debates. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 7, n. 3, p. 745-760, set.-dez. 2012. Disponível em: < http://twixar.me/66LK > . Acessado em: 26 out. 2024.
STOLTZ, Roger. Cartas de imigrantes. Porto Alegre: Edições EST, 1994.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Em caso de aprovação do artigo, os autores cedem automaticamente seus direitos de autoria à Revista Contraponto, a qual passa a deter a posse dos direitos referentes aos trabalhos publicados, mantendo o autor, contudo, os direitos morais sobre os mesmos, a exemplo de sua identificação como autor sempre que houver publicação de seu texto. Também é possível, desde que formalmente solicitado pelo(s) autor(es), obter a autorização para publicar o trabalho em forma de capitulo de livro, somente exigindo-se que a publicação obedeça os dados iniciais de publicação no periódico. O(s) autor(es) podem, ainda, copiar e distribuir livremente seu texto em meio eletrônico, sendo vedada, no entanto, a revenda dos mesmos.