SOFRIMENTO PSÍQUICO E RESISTÊNCIA CULTURAL EM TERRITÓRIO QUILOMBOLA APÓS CATÁSTROFE CLIMÁTICA NO RS

UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EM PSICOLOGIA E ANTROPOLOGIA

Autores

  • Gisele Aparecida da Silva Universidade de Santa Cruz do Sul

Palavras-chave:

Desastres ambientais; Identidade cultural; Território quilombola.

Resumo

Este trabalho insere-se nos campos da psicologia social e da antropologia a partir de um relato de experiência de uma graduanda em Psicologia, também quilombola, que atuou em sua própria comunidade, impactada pelo desastre climático ocorrido em maio de 2024. A comunidade foi atingida por deslizamentos de terra, ficando isolada por aproximadamente 40 dias, sem acesso à água potável, energia elétrica ou transporte, mesmo contando com a presença de pessoas em situação de vulnerabilidade. O objetivo do trabalho é discutir o sofrimento psíquico vivido pelos moradores diante da ameaça de perda do território e refletir sobre como a atuação do psicólogo, em diálogo com a antropologia, pode contribuir para a preservação da autonomia e identidade cultural de populações afetadas. A metodologia adotada baseia-se em relatos de experiência da autora, observações em campo e revisão bibliográfica. A discussão se apoia em referenciais da psicologia social crítica e da antropologia, destacando que desastres ambientais geram não apenas perdas materiais, mas também rupturas simbólicas profundas. O território quilombola em questão vai além da dimensão física: é um espaço de memória coletiva, práticas religiosas, cultivo de saberes tradicionais, além de propiciar e manter laços familiares estreitos entre as 17 famílias residentes. O trabalho evidencia a urgência de políticas públicas interdisciplinares que reconheçam os impactos subjetivos dos desastres sobre populações quilombolas e garantam medidas que respeitem sua cultura, religiosidade e formas de organização, evitando que os processos de reconstrução territorial apaguem também suas raízes históricas e sociais.

DOI: https://doi.org/10.5935/2358-3541.2024152344-pt

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALBUQUERQUE, M. et al. Trauma na visão da psicanálise. 2018. 22 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia). UNIVAG, Várzea Grande, Mato Grosso, 2018.

ALMEIDA, L. P. Para uma caracterização da Psicologia Social Brasileira. Psicologia: Ciência e Profissão, São Paulo, v. 32, n. spe, p. 124-137, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v32nsp/v32speca09.pdf. Acesso em: 27 out. 2025.

ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

CANAVÊZ, F. O trauma em tempos de vítimas. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 39–50, jan. 2015.

FARR, R. M. As raízes da psicologia social moderna. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

LANE, S. T. M. A Psicologia Social Crítica. São Paulo: Brasiliense, 1985.

MOURA, C. Rebeliões da senzala: quilombos, insurreição, guerrilhas. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.

MOURA, C. Sociologia do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1993.

PALOUTZIAN, R. F. Invitation to the Psychology of Religion. 2. ed. Boston: Allyn & Bacon, 1996.

PARKER, I.; SHOTTER, J. (Orgs.). Deconstructing Social Psychology. London: Routledge, 1990.

SOARES, M. R. P. et al. Quilombos e pandemia: a luta pela vida é histórica e carece de nossa solidariedade. In: CARVALHO, C. C.; SOARES, M. R. P.; OLIVEIRA, T. C. (orgs.). Amefricanas: Revista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-Brasileiras (NEAB), Universidade Federal Fluminense, Niterói, ano 1, v. 1, n. 1, p. 63-69, 2021.

SOLER, C. De um Trauma ao Outro. São Paulo: Blucher, 2021. 120 p.

Downloads

Publicado

21-12-2025

Como Citar

APARECIDA DA SILVA, Gisele. SOFRIMENTO PSÍQUICO E RESISTÊNCIA CULTURAL EM TERRITÓRIO QUILOMBOLA APÓS CATÁSTROFE CLIMÁTICA NO RS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EM PSICOLOGIA E ANTROPOLOGIA. Revista Contraponto, [S. l.], v. 12, n. Fluxo Contínuo, 2025. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/contraponto/article/view/152344. Acesso em: 19 set. 2026.

Edição

Seção

Destaques do VI Encontro Discente PPGAS - UFRGS