É POSSÍVEL UMA PSIQUIATRIA PÓS-MODERNA?
O DISCURSO PÓS-PSIQUIÁTRICO DIANTE DA HEGEMONIA BIOMÉDICA
Palavras-chave:
Pós-psiquiatria, Pós-modernidade, Psiquiatria biomédicaResumo
Este artigo discute a emergência do discurso pós-psiquiátrico como crítica à hegemonia da psiquiatria biomédica, situando tal debate no contexto das transformações epistemológicas da pós-modernidade. A partir de referenciais sociológicos e filosóficos — sobretudo os de Lyotard, Vattimo e Foucault —, analisa-se como a psiquiatria moderna se construiu como uma metanarrativa iluminista, racionalista e biologizante, reduzindo o sofrimento humano a categorias diagnósticas descontextualizadas. O objetivo principal é apresentar a pós-psiquiatria, conforme formulada por Bracken e Thomas, como uma proposta que dialoga com a crítica sociológica contemporânea, valorizando a subjetividade, o contexto social e a narrativa dos sujeitos em sofrimento. Adota-se uma metodologia teórico-conceitual, baseada em revisão crítica da literatura e análise discursiva, com ênfase em autores das ciências sociais e da saúde mental. A investigação evidencia que a pós-psiquiatria propõe uma ruptura com práticas autoritárias e normativas da psiquiatria tradicional, ao mesmo tempo em que busca evitar uma negação total do campo clínico, o que a distancia da antipsiquiatria clássica. Contudo, o artigo também aponta os limites dessa abordagem, sobretudo, sua possível cooptação pelo mesmo sistema que pretende criticar. Por fim, argumenta-se que o pensamento pós-psiquiátrico, ao incorporar epistemologias feministas e críticas descoloniais, pode oferecer caminhos potentes para a construção de práticas mais éticas, plurais e emancipatórias no campo da saúde mental.
DOI: https://doi.org/10.5935/2358-3541.2024148322-pt
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