AS MULTIPLICIDADES DA REALIDADE RACIAL
Um Genocídio Sociorracial entre Conflitos Morais e Sujeições Sociais no Caso Cearense
Palavras-chave:
Genocídio sociorracial, Juventude negraResumo
O objetivo deste artigo é discutir aspectos do genocídio sociorracial de jovens negros no Ceará. Baseado em trabalho de campo etnográfico e entrevistas com jovens negros de diversas periferias da cidade de Fortaleza, busca-se compreender como são percebidos os processos de sujeição racista de seus corpos no contexto de conflitos sociais que estrutura a produção da morte social de jovens negros. Esse fenômeno se torna mais dramático, pois, no Ceará, predomina uma ideologia de branqueamento que tenta negar a existência de pessoas negras no Estado. Os discursos hegemônicos do racismo cearense inviabilizam o próprio racismo pela afirmação difusa e institucional de que “não há pessoas negras no Ceará”. Os jovens autodeclarados negros se tornam, nesse cenário, pessoas morais impossíveis, sequer reconhecidos em sua autodefinição. Dentro dessa limitação da vida, a violência policial torna-se uma situação rotineira: “A gente, digamos, mais favelado, né? A gente sofre muito mais xingamento, chute nas pernas e tals”. A forma como se dá a revista policial deixa entrever que há uma relação de poder e obediência entre policial e pessoa revistada, uma violência que desumaniza o jovem revistado, balizando sua própria cidadania numa nítida maneira de “enquadrar” o jovem, tornando-o um menos que sujeito em papel de submissão.
DOI: 10.5935/2358-3541.2023e110501-pt
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