A DIVERSIFICAÇÃO DAS PARCERIAS DO BRASIL EM DEFESA ENTRE 2023 E 2025
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-6912.154751Resumo
O artigo analisa as iniciativas do governo Lula III para diversificar as parcerias do Brasil na área de defesa entre 2023 e 2025, destacando tanto avanços significativos quanto obstáculos estruturais. Por um lado, o período registrou acordos inéditos com atores não tradicionais, como o EDGE Group dos Emirados Árabes, além de aproximações com Índia, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Benin, e a consolidação da parceria com Portugal, que ampliou o acesso da Embraer ao mercado da OTAN. Por outro lado, a tentativa de vender parte da Avibras à chinesa Norinco fracassou, evidenciando a dificuldade de concretizar parcerias com o Sul Global em setor estratégico. O estudo aponta que, apesar do discurso oficial de fortalecimento da indústria nacional e redução da dependência externa, a autonomia das Forças Armadas nas aquisições, o alinhamento técnico-militar aos Estados Unidos e as fragilidades de governança do Ministério da Defesa limitam a efetiva diversificação, mantendo o Brasil predominantemente vinculado a fornecedores da OTAN e refletindo um descompasso entre a política externa presidencial e a prática institucional das Forças.