DAS PETRO-POLÍTICAS ÁRABES DE 1973 À GUERRA RUSSO-UCRANIANA:
O QUE PODEMOS APRENDER DAS SANÇÕES ENQUANTO INSTRUMENTO DE COERÇÃO?
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-6912.140102Resumo
Baseando-se em diversas fontes, este artigo examina duas questões inter-relacionadas: como uma guerra aparentemente interestatal adquire um caráter multilateral, e em que grau medidas coercitivas empregadas por um Estado ou uma coalizão de Estados podem induzir o comportamento de um ator beligerante. A análise deste estudo, concentra-se em dois casos de coerção econômica: o Embargo de Petróleo Àrabe de 1973 e o atual regime de sanções liderado pelo Ocidente contra a Rússia. Ao desconstruir a instrumentalização coercitiva econômica em ambos os casos, o artigo avalia a eficácia dessas medidas em moldar o comportamento dos Estados-alvo. Os resultados indicam que, apesar das consequências abrangentes do embargo de petróleo de 1973 para a economia global, esse não conseguiu forçar uma mudança de política por parte dos Estados Unidos e de seus aliados. Da mesma forma, as sanções ocidentais contra a Rússia não lograram, até o momento, obter a capitulação russa ou restaurar o status quo ante na Ucrânia. O artigo argumenta que, embora a coerção econômica possa impor custos significativos aos Estados-alvo e ao Sistema Internacional, sua capacidade de gerar os resultados políticos e estratégicos desejados permanece limitada.