A POLÍTICA EXTERNA DO IRÃ PÓS-REVOLUCIONÁRIO: A CONVENIÊNCIA NA ENCRUZILHADA DO SUPRANACIONALISMO E DA SOBERANIA
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-6912.116576Palavras-chave:
Islamic Supra-Nationalism, Westphalian Sovereignty, Foreign Policy, International Relations, Iran, ExpediencyResumo
Após a Revolução Iraniana de 1979 e a subsequente formação da República Islâmica, a islamização da política externa do Irã tornou-se indiscutivelmente a principal agenda do Estado recém-criado na arena internacional. Coerente com os pensamentos islâmicos sobre as relações internacionais, a política externa da República Islâmica foi construída sobre o conceito de supranacionalismo islâmico - que coloca sua ênfase na unidade da comunidade muçulmana global (Ummah). Sem dúvidas, essa doutrina supranacionalista é incompatível com a atual ordem política mundial baseada no conceito de Estado-nação vestfaliano. Essa incompatibilidade existe em três níveis; em primeiro lugar, o Islã enfatiza as fronteiras ideológicas em lugar das fronteiras políticas e, portanto, rejeita a ideia de Estados nacionalistas. Em segundo lugar, o Islã nega as fontes atuais de legitimidade em relação às leis e regulamentos internacionais e, finalmente, o Islã demanda a eliminação das fronteiras culturais, étnicas e geográficas entre os muçulmanos, a fim de unir as comunidades muçulmanas em um novo bloco de poder dentro da atual ordem política mundial. Este artigo primeiramente identifica as diferenças entre o supranacionalismo islâmico e a doutrina da soberania vestfaliana. Em segundo lugar, enfatizando o conceito de maslahat (conveniência) e usando vários exemplos, este artigo também fornece explicações sobre como a política externa do Irã decide qual caminho seguir na encruzilhada entre supranacionalismo e soberania.