POTÊNCIAS EMERGENTES E NEGOCIAÇÕES DE PAZ: A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA NAS CONVERSAÇÕES NUCLEARES COM O IRÃ
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-6912.91944Palavras-chave:
Potências Emergentes, Poder Brando, Brasil, Declaração de Teerã, Programa Nuclear IranianoResumo
Este artigo aborda o papel das potências emergentes e a importância dos recursos de poder brando dos países do Sul nas negociações de paz mundial. Tem-se como objetivo examinar a performance do Brasil como colaborador para soluções pacíficas e não-escalada de tensões no âmbito da segurança internacional. A diplomacia brasileira assertiva do governo Lula da Silva (2003-2010) realizou esforços especiais para a construção de pontes em negociações internacionais para superar cenários de impasse. Este estudo foca especificamente na iniciativa conjunta de Brasil e Turquia, em 2010 – conhecida como Declaração de Teerã –, destinada a mitigar as tensões internacionais causadas pelo programa nuclear iraniano. Ambos os países trabalharam conjuntamente para persuadir o Irã a aceitar um acordo de troca de combustível, com vistas a evitar uma nova rodada de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) contra o Irã. O fracasso em modificar o curso das ações coercitivas lideradas pelas potências ocidentais evidencia os constrangimentos que as potências emergentes sofrem como intermediadoras da paz na segurança global. A falta de reconhecimento das potências ocidentais, embora eficaz para reverter o sucesso da iniciativa Brasil-Turquia, também adiou resultados positivos nas negociações internacionais com o Irã. Este texto sugere revisitar as consequências desse adiamento, especialmente depois que a administração Trump se afastou do Plano de Ação Conjunto Global de 2015 com o Irã.