O CONTRATO DO PAI MORTO: a cosmogonia greco-judaica como pilar do apagamento feminino no pensamento ocidental
Palabras clave:
Patriarcado, violência simbólica, feminicídioResumen
Este artigo analisa a constituição histórica do patriarcado como dispositivo estruturante do pensamento ocidental, rastreando sua origem nas cosmogonias de Hesíodo e do Gênesis e sua transubstanciação nas tradições filosóficas, teológicas e psicanalíticas. Argumenta-se que essas narrativas fundacionais operam como tecnologias de governo dos corpos femininos, produzindo uma gramática da subordinação que atravessa a filosofia aristotélica, a teologia cristã medieval e a psicanálise freudiana. A continuidade desse “contrato do pai morto” manifesta-se na modernidade e se atualiza no Brasil contemporâneo na forma da máquina patriarcal-colonial, evidenciada pelas estatísticas de feminicídio e pela naturalização da violência contra mulheres, sobretudo negras, em múltiplas esferas sociais. Dialogando com autoras e autores como Lerner, Federici, Pateman, Bourdieu, Mbembe e Segato, o texto articula mito, filosofia e necropolítica para compreender como o patriarcado se perpetua como lógica estrutural de poder, morte e exclusão.