O jogo dramático na Educação Infantil

aproximações com a Educação Física escolar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/2595-4377.142678

Palavras-chave:

Práticas Pedagógicas, Processo Ensino-Aprendizagem, Perspectiva Biopsicossocial

Resumo

O presente ensaio teórico-reflexivo analisa a pertinência do jogo dramático na Educação Física escolar infantil. O objetivo é tensionar o valor pedagógico dessa metodologia, contrastando a visão cognitiva do jogo simbólico de Jean Piaget com as perspectivas socioculturais do desenvolvimento. Defende-se que o jogo dramático constitui uma ferramenta metodológica robusta que transcende o caráter meramente lúdico, potencializando o desenvolvimento motor, afetivo e social por meio da representação e da experimentação de papéis. Essa prática exige que o corpo seja compreendido como principal ferramenta de expressão e linguagem, garantindo a escolarização pelo movimento. A análise demonstra que o potencial do jogo reside na tensão entre a assimilação individual e a acomodação social, que se manifesta durante a ação dramática. Conclui-se que a efetividade dessa proposta didática é desafiada pela carência de pluralidade cultural na formação docente em Educação Física, sendo urgente que os currículos integrem o corpo como elemento de inserção cultural e estética, abrindo caminho para futuras pesquisas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Raianne Mattos Miranda, Universidade Estácio de Sá

Possui formação em Licenciatura em Educação Física (2016) e Bacharelado em Educação Física(2017), ambos pelo Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM). Especialista em Educação Física Escolar (2019) pela Universidade Estácio de Sá (UNESA). Atualmente se encontra como Coordenadora Técnica no ramo fitness e ministra também aulas de ginástica coletiva, com ênfase em musicalidade.

Bruna Santana Anastácio, Universidade Federal de Santa Catarina

Graduação em Educação Física - Licenciatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (2014). Graduação em Pedagogia pela Faculdade Educacional da Lapa - FAEL (2019). Mestre em Educação na linha de Educação e Comunicação do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (2016). Doutora em Educação na linha de Educação e Comunicação do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina.

Carlos Eduardo Rafael de Andrade Ferrari, Universidade de Vassouras

Carlos Ferrari é doutor, aprovado por unanimidade, nota máxima, membro pesquisador do Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto, pela Universidade do Porto (UP / FADEUP / PORTUGAL) com reconhecimento pela Universidade de São Paulo (USP / BRASIL); mestre em Ciências da Atividade Física, membro pesquisador do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Atividade Física, pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO / PPGCAF / BRASIL); especialista em Ciências do Desporto, especialidade de Desporto, Educação e Cultura, pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (UP / FADEUP / PORTUGAL); bacharel em Educação Física, com prêmio de dignidade acadêmica no grau Summa cum laude, em razão do Coeficiente de Rendimento Global de 9.58, pelo Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM / BRASIL); licenciado em Educação Física, com prêmio de dignidade acadêmica no grau Cum laude, em razão do Coeficiente de Rendimento Global de 8.67, pelo Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM / BRASIL). Atualmente, é Professor Adjunto I da Universidade de Vassouras, membro do Colegiado e do Núcleo Docente Estruturante (NDE), do Curso de Educação Física, Campus Saquarema.

Rafael Carvalho da Silva Mocarzel, Universidade de Vassouras / Universidade Federal do Rio de Janeiro

Brasileiro e português. Doutor em Ciências do Desporto (UP / Portugal). Integra o Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto da Universidade do Porto (CIFI2D) e ainda o Grupo de Psicofisiologia e Performance em Esportes & Combates (UFRJ). Mestre em Ciências da Atividade Física e Licenciado Pleno em Educação Física (UNIVERSO / Brasil). Membro da Câmara de Lutas e Artes Marciais e da Comissão de Professores de Niterói e Adjacências do CREF-1. Ex-Diretor da Federação de Kung-Fu do Estado do Rio de Janeiro (FKFERJ). Professor (Faixa Preta) em 6 estilos de Kung-Fu. Professor de cursos de Licenciatura e Bacharel em Educação Física em universidades no Estado do Rio de Janeiro. Estuda as Artes Marciais em suas diversas áreas de atuação, os Jogos Olímpicos (Olimpismo), a Filosofia e Sociologia dos Esportes incluindo seus valores éticos, morais, estéticos e educacionais, Jogos e Recreação Lúdica, História do Desporto, Terapias Holísticas, Massagens e Meditações. Instrutor de Pilates e Dança. Atua também com Terapias Holísticas e Massagens.

Referências

ABREU, Luiz Carlos de et al. A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo. Journal of Human Growth and Development, v. 20, n. 2, p. 361-366, 2010.

ANASTÁCIO, Bruna Santana et al. Contextos lúdicos de aprendizagem: uma aproximação entre os jogos eletrônicos e educação a distância. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina. 2016.

BASEI, Andréia Paula. A Educação Física na Educação Infantil: a importância do movimentar-se e suas contribuições no desenvolvimento da criança. Revista Iberoamericana de Educación, v. 47, n. 3, p. 1-12, 2008.

BELLIDO, Luciana Ponce; CAPELLINI, Vera Lúcia Messias Fialho; LEPRE, Rita Melissa. A epistemologia genética de Piaget e o Construtivismo. Rev. Simbio-Logias, v. 1, n. 2, 2008. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/283505951_Os_jogos_dramaticos_e_o_desenvolvimento_infantil_RePensando_a_pratica_docente. Acesso em: 20 out. 2018.

BASTOS, Clarisse Zan de Assis; MORAIS, Alessandra; CORDEIRO, Ana Paula. Jogos dramáticos e teatrais: aproximações com a Psicologia Genética de Jean Piaget e contribuições à Educação Infantil. Schème: Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas, v. 7, n. 1, p. 66-90, 2015.

BRACHT, Valter. Educação Física e ciência: cenas de um casamento (in)feliz. 2. ed. Ijuí: Unijuí, 2003.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: n. 9394/96. Brasília: 1996.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília. 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/base-nacional-comum-curricular-bncc. Acesso em: 18 de Setembro de 2024.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

COURTNEY, Richard. Jogo, teatro & pensamento. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.

DARIDO, S. C. Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

DIDONET, Vital. Creche: a que veio, para onde vai. In: Educação Infantil: a creche, um bom começo. Em Aberto/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. v 18, n. 73. Brasília, 2001. p. 11-28.

FERRARI, Carlos Eduardo Rafael de Andrade. O lugar da Educação Física na Escola Cultural. Estudo elaborado a partir da realidade de duas escolas sui generis do Porto e do Rio de Janeiro. F. Carlos Eduardo Rafael de Andrade. Tese de Doutoramento em Ciências do Desporto apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. 2020.

FERRY, Luc. Homo Aestheticus: a invenção do gosto na Era Democrática. Coimbra: Almedina, 1997.

FRANÇA, Thaísa Raquel; ALMEIDA SILVA, Viviane. A influência do jogo dramático na educação infantil. Revista Fiped Editorial, v. 1, p. 1, 2014.

GALLARDO, Jorge Sergio Peréz. Educação Física: contribuições à formação profissional. 5. ed. Ijuí: Unijuí. 2009.

GRAZIOLI, Fabiano Tadeu. As abordagens dramáticas e a presença do teatro nas escolas brasileiras: reflexões sobre uma realidade. Revista Eletrônica de Extensão da URI. 2010.

HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.

JAPIASSU, Ricardo Ottoni Vaz. Metodologia do ensino do teatro. 4. ed. São Paulo: Papirus, 2005.

KATTO, Suzana de Brito. A dramatização como ferramenta didática. Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) da Secretaria de Educação do Estado do Paraná. 2008.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. Perspectiva, v. 12, n. 22, p. 105-128, 1994.

LEPRE et al. Contribuições da epistemologia genética para a construção do conhecimento na Educação Infantil. Rev. Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genética, v.4, n.1, Jan-Jul, 2012.

LIMA, M. da S.; FONSECA, L.B; AZEVEDO, D.S; RIBEIRO, R.S.L. A Contribuição da dança para o desenvolvimento psicomotor na Educação Infantil. Lecturas: Educación Física y Deportes. Buenos Aires, n. 175, 2012. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd175/danca-para-o-desenvolvimento-psicomotor.htm. Acesso em: 10 set. 2019.

LOPES, Joana; MADUREIRA, José Rafael. A Educação Física em Jogo: Práticas Corporais, Expressão e Arte. Rev. Bras. Cienc. Esporte, Campinas, v. 27, n. 2, p. 9-25, jan. 2006.

MATTOS, Mauro Gomes de; NEIRA, Marcos Garcia. Educação Física na adolescência: construindo o conhecimento na escola. Phorte, 2009.

MANZONI, Julia de Araujo Macieira. Contribuições dos jogos dramáticos no resgate da espontaneidade. 2008.

MOCARZEL, Rafael Carvalho da Silva; FERRARI, Carlos Eduardo Rafael de Andrade; RETONDAR, Jeferson José Moebus. Relação do Ser Humano e da Sociedade com o Lazer e a Educação Física no Século XXI. LICERE-Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer, v. 25, n. 4, p. 314-333, 2022. https://periodicos.ufmg.br/index.php/licere/article/view/44561/36674. Acessado em: 14 ago. 2024.

OLIVEIRA, Sérgio José de; SILVA, Francisco Neto da. O jogo dramático como elemento catalisador da imaginação criativa e do comportamento lúdico. Centro de Comunicação, Turismo e Artes, Departamento de Artes Cênicas. Orientador do Projeto Teatro e Comunidade. PROBEX, 2013.

PASCHOAL, Jaqueline Delgado; MACHADO, Maria Cristina Gomes. A história da educação infantil no Brasil: avanços, retrocessos e desafios dessa modalidade educacional. Revista Histedbr on-line, v. 9, n. 33, p. 78-95, 2009.

PATRÍCIO, Manuel Ferreira. Lições de axiologia educacional. Lisboa: Universidade Aberta, 1993.

PIAGET, J. Psicologia e Pedagogia. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1999.

QUEIROZ, S. S.; DIAS, L. P.; CHAGAS, J. D.; NEPOMOCENO, P. S. Erros e equilibração em psicologia genética. Psicol. Esc. Educ. [online], v.15, n.2, pp. 263-271. 2011.

RETONDAR, J. J. M. O Fundamento Lúdico na Estética do Jogo. Revista Cocar, v. 3, n. 5, p. 67-76, 2011. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/71. Acesso em: 23 out. 2023.

RETONDAR, Jeferson José Moebus. Teoria do Jogo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

SILVA, Karla Cristina Malthoso. Além dos muros escolares: um resgate dos jogos tradicionais nas aulas de Educação Física. Revista EFDeportes, Ano 10 nº 88, Setembro. Buenos Aires, 2005.

SILVA, Andréa Conceição. O jogo dramático influenciando na educação infantil. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal da Bahia. 2020.

SLADE, Peter. O jogo dramático infantil. 2. ed. São Paulo: Summus, 1978.

SOARES, Carmem Lúcia et al. Metodologia do ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

TERRA, Marcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de Piaget. Disponível em: https://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm. Acessado em: 15 set. 2018.

TEZANI, Thais Cristina Rodrigues. O jogo e os processos de aprendizagem e desenvolvimento: aspectos cognitivos e afetivos. Educação em Revista. Marília v.7, 2006.

VELOZO, Emerson Luís. Educação física e epistemologia: a cientificidade como uma dimensão cultural. São Paulo. 2010. Rev. Bras. Cienc. Esporte, Campinas, v. 31, n. 3, p. 79-93, maio 2010.

VIEIRA. Gilberto Ramos. LIMA, Rayelle Thais da Silva. A utilização do conteúdo jogos como estratégia pedagógica para ensino dos esportes coletivos. Revista Brasileira do Esporte Coletivo, v. 2. n. 2, 2018.

Downloads

Publicado

28-11-2025

Como Citar

MIRANDA, Raianne Mattos; ANASTÁCIO, Bruna Santana; FERRARI, Carlos Eduardo Rafael de Andrade; MOCARZEL, Rafael Carvalho da Silva. O jogo dramático na Educação Infantil: aproximações com a Educação Física escolar. Cadernos do Aplicação, Porto Alegre, v. 38, 2025. DOI: 10.22456/2595-4377.142678. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/CadernosdoAplicacao/article/view/142678. Acesso em: 9 ago. 2026.

Edição

Seção

Temática Especial 2