Arrhythmogenic Right Ventricular Cardiomyopathy in English Bulldog with Brachycephalic Obstructive Airway Syndrome (BOAS)
DOI:
https://doi.org/10.22456/1679-9216.142097Palavras-chave:
cardiac remodeling, congestive heart failure, cyanosis, echocardiography, electrocardiogram, peritoneal effusionResumo
Contexto: A cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito (ARVC) é uma desordem hereditária em que os cardiomiócitos do ventrículo direito são substituídos por tecido fibrogorduroso, interrompendo a continuidade elétrica do miocárdio. As causas podem incluir mutações no gene da striatina ou no gene do receptor de rianodina cardíaca. A Síndrome de Obstrução das Vias Aéreas em Braquicefálicos (BOAS) envolve anomalias congênitas em cães braquicefálicos, como narinas estenóticas e palato mole alongado, que podem levar a remodelação cardíaca do lado direito e insuficiência cardíaca. Este relatório teve como objetivo apresentar um caso de ARVC categoria III em um Bulldog Inglês com BOAS.
Caso: Um Bulldog Inglês, macho, de 9 anos, apresentou episódios de síncope, cianose pós-prandial e dificuldade respiratória. O cão apresentava estenose grave das narinas, característica da BOAS, além de sinais de insuficiência cardíaca. Exames físicos e complementares revelaram acidose respiratória crônica, hiponatremia, hipocloremia e anemia. O ecocardiograma indicou remodelação significativa das câmaras cardíacas, especialmente no ventrículo direito, com insuficiência das valvas tricúspide e pulmonar, sugerindo ARVC. A biópsia miocárdica não pôde ser realizada. O eletrocardiograma mostrou taquicardia sinusal e outras irregularidades. As radiografias torácicas revelaram cardiomegalia e sinais de insuficiência cardíaca congestiva (ICC). A análise do transudato abdominal revelou efusão peritoneal significativa. O cão faleceu um mês após a apresentação inicial, sem diagnóstico definitivo antes da morte e sem autorização para necropsia.
Discussão: O diagnóstico definitivo de cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito (ARVC) é feito por meio de biópsia miocárdica, um procedimento muitas vezes realizado post-mortem devido à sua dificuldade em animais vivos. A ARVC se apresenta em três formas clínicas: Categoria I é assintomática com poucas arritmias; Categoria II envolve síncope e fadiga fácil com extrassístoles monomórficas; Categoria III, que é rara, inclui sinais de insuficiência cardíaca congestiva (ICC), taquiarritmias ventriculares e ocasionalmente fibrilação atrial. Em Bulldogs Ingleses, a ARVC tem maior probabilidade de causar arritmias supraventriculares. Essa raça frequentemente apresenta sinais de ICC, como edema e síncope, com alta prevalência de arritmias e sintomas de ICC. A maioria dos casos de ARVC apresenta função ventricular esquerda normal, mas qualquer desvio pode afetar significativamente a sobrevida. O ecocardiograma geralmente revela aumento das câmaras do coração direito e insuficiência da valva tricúspide. O ECG convencional detecta complexos ventriculares prematuros, mas pode não identificar algumas arritmias, tornando o monitoramento Holter uma ferramenta melhor para avaliação a longo prazo. A radiografia torácica pode mostrar cardiomegalia e sinais de ICC, enquanto a imagem abdominal pode revelar efusão indicando ICC do lado direito. Embora o diagnóstico definitivo geralmente requeira biópsia miocárdica, testes complementares e achados clínicos neste caso sugerem ARVC Categoria III. O tratamento envolve o manejo de arritmias com antiarrítmicos como sotalol ou mexiletina e o tratamento de qualquer ICC com protocolos padrão. O prognóstico varia de acordo com a apresentação da doença, com uma perspectiva geralmente reservada a desfavorável devido aos riscos de morte súbita ou piora da função cardíaca. Este caso destaca a complexidade do diagnóstico e manejo da ARVC em cães braquicefálicos com BOAS. A identificação precoce e precisa dessas condições é crucial para intervenções eficazes, embora a obtenção de um diagnóstico definitivo in vivo permaneça desafiadora. O caso ressalta a necessidade de monitoramento contínuo e uma abordagem multidisciplinar no manejo de cães com múltiplas comorbidades cardíacas e respiratórias.
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