Cérebros criativos no mundo das produções audiovisuais de massa? Entretenimento, fãs de animações e possibilidades criativas em artes visuais

Isac dos Santos Pereira

Resumo


A presente pesquisa surgiu da inquietação suscitada a partir da reflexão sobre até que ponto a comunicação audiovisual, especificamente as animações televisivas, e seus hiperestímulos deixam de ser mero entretenimento dentro do complexo contemporâneo para de fato serem úteis para os estudos da criatividade, além de subsidiar no processo criativo de seus fãs. A assimilação de tais constructos carece da atuação de diversos campos sensoriais, que retém e encaminham as informações às diversas vias cerebrais. Em diálogo com o pensamento complexo de Edgard Morin, o texto se funda na intenção de entender algumas das faces das animações infanto-juvenis enquanto arcabouço complexo, que se instaura e afeta diversos campos do imaginário e, tão logo propicia o ato criador ao propor novas animações, como o caso de alguns produtores. Doravante, os olhares investigativos lançaram-se aos escritos partindo de uma concepção positiva sobre os meios audiovisuais, visando discutir sobre algumas produções e, sua consequente influência na conformação do arcabouço imagético das crianças/fãs que as consomem constantemente nos momentos de lazer, os agregam e externalizam suas percepções por meio de desenhos dentro da sala de aula.


Palavras-chave


Televisão. Animação. Processo criativo. Estímulo cerebral. Arte. Desenho.

Texto completo:

PDF

Referências


ADORNO, Theodor W; HORKHEIMER, Max. A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas. In: ADORNO, Theodor W; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Tradução Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

BACCEGA, Maria Aparecida. Televisão e educação: a escola e o Livro. Revista Comunicação e educação, do Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, p. 7-14, maio/ago., 2002.

COSENSA, Ramon M. e Guerra, Leonor B. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

DABUL, Lígia; PIRES, Bianca Salles. Set e ação: notas sobre processos criativos no cinema. Revista Poiesis, Niterói, v. 12, p. 77-88, nov., 2008.

DAMÀSIO, António R. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano; tradução de Dora Vicente, Georgina Segurado. 3º. ed. São Paulo: Companhia das letras, 2012.

HOUZEL, Suzana Herculano. O cérebro nosso de cada dia: descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana. 2º. Ed. Rio de Janeiro: Vieira e Lent, 2012.

IZQUIERDO, Iván. Memória. 2º. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

LIMA JÚNIOR, Geraldo Coelho. Design de moda e neuroeducação: o desenvolvimento de uma metodologia de desenvolvimento projetual aplicado a pessoas com deficiência visual. Tese (doutorado em design) - Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2016.

MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. São Paulo: Editora Senac, 2000.

MORIN, Edgard. Cultura de massas no século XX: O espírito do tempo-1. Neurose. Tradução de Maura Ribeiro Sardinha. 9º. ed. Rio de Janeiro: Forense universitária, 1987.

MORIN, Edgard. O cinema ou o homem imaginário: ensaios de antropologia sociológica. Tradução de Luciano Loprete. São Paulo: Editora É Realizações, 2014.

MORIN, Edgard. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Tradução de Eloá Jacobina. 7º ed. Rio de Janeiro: Berttrand Brasil, 2002.

MORIN, Edgard. Da necessidade de um pensamento complexo. In: MARTINS, Francisco Menezes; SILVA, Juremir Machado (Orgs). Para navegar no século XXI: Tecnologias do imaginário e cibercultura. 3ºEd. Porto Alegre: Sulina/EdiPUCRS, 2003.

MORIN, Edgard. Por uma reforma do pensamento. In: PENA-VEGA: ALMEIDA, Elimar Pinheiro (Orgs). O pensar complexo: Edgard Morin e a crise da modernidade. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.

PACHECO, Elza Dias Pacheco (Org.). Televisão, criança e imaginário. São Paulo: Papirus Editora, 1998.

PACHECO, Elza Dias Pacheco. A linguagem televisiva e o imaginário infantil. Revista Comunicação e educação, do Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, p. 43/48, jan./abr. ,1995.

PRADO, Laryssa Moreira; TRINTA, Aluizio R. Pensando a animação: meio é mensagem. Revista Movimento, São Paulo, n. 10, p.38-59, mar., 2018.

PRADO, Ana Lucia Penteado Brandão; MUNGIOLI, Maria Cristina Palma. Educomunicação e mediação escolar: um projeto educomunicativo para a relação criança, desenho animado e consumo. São Paulo; Revista Comunicação e educação, do Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, n. 2, p. 87-96, jul./dez, 2016.

PILLAR, Analice Dutra. Contágios entre arte e mídia no ensino da Arte. Bahia; 19º Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas “entre territórios”. Anpap. p. 1927 a 1940, 2010.

RAMACHANDRAN, Vilayanur S. O que o cérebro tem para contar: desvendando os mistérios da natureza humana. Tradução Maria Luiza X. de A. Borges. 1.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

ROBERTS, Marcos Nadal; OLIVER, Albert Flexas. Bases biológicas de lacreatividad. El enfoque desde laneuroestética. In: ABRAHAM, Anna [Et al.]. Creatividad y neurociencia cognitiva. Madrid: Fundación Tomás Pascual y Pilar Gómez-Cuétara/ Instituto Tomás Pascual Sanz, 2012.

ROCHA, Marleide de Moura. A arte da animação japonesa: em busca dos recursos gerativos de sentidos. Recursos estéticos/efeitos estésicos. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/PUCSP. Dissertação de mestrado, 2008.

SILVA, André Luiz Souza. O Heroi na forma e no conteúdo: analise textual do mangá Dragon Ball e Dragon Ball Z. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporânea) - Universidade Federal da Bahia, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2005.

SILVA, Priscila Kalinke da. Educação, cultura escolar e mediação: em estudo o animê naruto. Maringá; Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade de Maringá. Dissertação de mestrado, 2012.

SINGER, Ben. Três: Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular. In: CHARNEY et al (Org). O cinema e a invenção da vida moderna. Tradução: Regina Thompson. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2001.

XIMENDES, Ellen. As bases neurocientíficas da criatividade: O contributo da neurociência no estudo do comportamento criativo. Universidade de Lisboa: Faculdade de Belas Artes. Dissertação de mestrado, 2009.

WECHSLER, Solange Muglia (2002). Criatividade: descobrindo e encorajando. 3.ed. Campinas: livro.




DOI: https://doi.org/10.22456/2357-9854.89909

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

       

 

 

 

Revista GEARTE

ISSN 2357-9854 | e-ISSN 2596-3198 | Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil

http://www.seer.ufrgs.br/gearte

 

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.