A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DE MENORES NA AMÉRICA LATINA: A RUA COMO ALTERNATIVA PARA O UNICEF

Autores

Palavras-chave:

Aparelhos Privados de Hegemonia, Neoliberalismo, UNICEF, FUNABEM, Menorismo

Resumo

Este artigo apresenta uma pesquisa historiográfica que problematiza como ocorreu o processo de desinstitucionalização de menores, promovido e financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na América Latina, na década de 1980? O problema de pesquisa desencadeou identificar Aparelhos Privados de Hegemonia (APHs) que contribuíram no processo desvelando como esse movimento repercutiu sobre as instituições de atendimento no Brasil no momento anterior à promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A produção está atrelada à organização de um Programa experimental implementado com sucesso na Venezuela entre 1975 e 1979. Dessa experiência, o UNICEF financiou políticas em países da América Latina, a partir da década de 1980, por isso o corpus documental é composto por três livros publicados em 1985, 1987 e 1989 sob a orientação do UNICEF.  O artigo conclui que o UNICEF contou financiou diversos APHs que, em conjunto, colocaram em marcha uma proposta que levou milhares de crianças e adolescentes, afastadas pelo Estado de suas relações familiares para a rua, no momento anterior à promulgação do ECA. Esse movimento contribuiu para a implementação de propostas neoliberais que utilizava ONGs para atuar em nome do Estado, com os menores em situação de rua consolidando um novo perfil profissional, o educador social de rua. Paralelo a esse movimento, a FUNABEM, com suas representações estaduais, as FEBEMs, vivenciavam um momento de crise, que não coincidentemente antecedeu a sua extinção colocando em marcha o movimento neoliberal. Nesse aspecto, apesar da boa intencionalidade dos trabalhadores e dos movimentos sociais, o artigo conclui que a proposta implementada pelo UNICEF, longe de se preocupar com questões humanitárias que envolviam crianças e adolescentes afastados de suas famílias pelo Estado, buscou resolver o problema, apresentando a rua como alternativa para desinstitucionalizar crianças e adolescentes e colocar em marcha um novo modelo neoliberal de atendimento para a infância, desonerando o Estado da sua responsabilidade.

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Biografia do Autor

Maria Nilvane Fernandes, Universidade Federal do Amazonas

Pedagoga, Mestre e Doutora em Educação. Bolsista do CNPq - Processo nº 200864/2022-0 – para cursar pós-doutoramento no Human Development & Family Science (HDFS) da Texas Tech University (TTU). Bolsista FAPEAM – 01.02.016301.00872/2024-97 – para realizar mobilidade acadêmica na Universidad Federal de Buenos Aires (Argentina) no ano de 2024. Doutoramento sanduíche no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa - fomento Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior PDSE - 88881.134314/2016-01/CAPES. Professora Adjunta da área de Fundamentos da Educação do Curso de Pedagogia e Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em adolescente em conflito com a lei (UNIBAN/SP); Líder do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão sobre Políticas, Educação, Violências e Instituições (GEPPEvi). Editora-Chefe da Revista Amazônida.

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

Fernandes, M. N. (2025). A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DE MENORES NA AMÉRICA LATINA: A RUA COMO ALTERNATIVA PARA O UNICEF. Revista Do Instituto Histórico E Geográfico Do Rio Grande Do Sul, (169). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/revistaihgrgs/article/view/148231