ANÁLISE DE CONJUNTURA DO GOVERNO CHISSANO: TRANSIÇÕES DOMÉSTICAS E PRAGMATISMO ECONÔMICO EM MOÇAMBIQUE (1986-2004)
DOI:
https://doi.org/10.22456/2448-3923.129021Resumo
O artigo analisa a conjuntura política de Moçambique durante o Governo Chissano. Movimenta a lógica dos dois níveis e a perspectiva interméstica como aportes teóricos e a metodologia de análise de conjuntura. Chissano governou Moçambique em meio a transições domésticas e externas: passagem do socialismo ao capitalismo, mudanças na Constituição, acordo de paz com a Renamo e primeiras eleições multipartidárias. A conjuntura internacional e regional foi marcada pelo Consenso de Washington, fim da Guerra-Fria e do apartheid sul-africano. O distanciamento do bloco soviético, a ruptura com o socialismo, a introdução do liberalismo econômico, as liberdades individuais e coletivas, o afrouxamento de tensões regionais e com o Ocidente foram marcas das políticas doméstica e externa de Chissano. A política do laissez-faire e a tentativa de criar uma classe média moçambicana conduziu a escândalos financeiros e corrupção generalizada. Chissano buscou outras ideologias, negociou com parceiros improváveis e adotou pragmatismo econômico. Cercado de tecnocratas, seguiu à risca as receitas do FMI/BM, com decisões impopulares que levaram a convulsões sociais: ajustamento estrutural, privatizações e milhões de desempregados. O acordo de paz e o perdão total da dívida externa foram suas grandes conquistas diplomáticas. Ao final de seu governo, Moçambique havia perdido protagonismo político regional, subordinando-se a agendas externas e cada vez mais dependente da ajuda internacional.
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