A POLÍTICA EXTERNA EGÍPCIA SOB O GOVERNO AL-SISI: CAMINHOS PARA A DIVERSIFICAÇÃO DE PARCERIAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/2448-3923.144853

Palavras-chave:

Egito, Abdel Fatah Al-Sisi, Primavera Árabe

Resumo

Uma década depois do início do governo de Abdel Fatah Al-Sisi, o Egito convive com um complexo quadro doméstico, envolvendo os desafios emergentes diante da consolidação político-institucional após os ventos da Primavera Árabe, as consequências econômicas e sociais da elevação da vulnerabilidade externa, além dos esforços de reinserção em diferentes arenas regionais e globais. Em meio a tais circunstâncias, transformações no desenvolvimento da sua política externa conciliam um discurso de retomada plena da ação externa a partir da última década com a busca pela instrumentalização da sua posição geoestratégica entre a África e o Mundo Árabe em favor de novos investimentos externos e reversão do adverso quadro macroeconômico, caracterizado pela desvalorização da libra egípcia, crescimento da inflação e déficits na balança comercial. Tal processo, contudo, tem raízes nos esforços de diversificação das relações exteriores, aspecto observado desde os anos finais do Governo Mubarak, atravessando as mudanças ocorridas no plano doméstico a partir de 2011. Diante disso, esse artigo analisa as principais características que envolvem o processo de reposicionamento global e regional do Egito a partir da última década. Na intersecção entre a Análise dos Sistemas-Mundo (ASM) e a Análise da Política Externa (APE), avalia-se o potencial egípcio em ocupar uma posição histórica de articulação entre as dinâmicas globais e regionais, considerando sua condição enquanto Estado Ponte entre dois continentes. Por meio de análise qualitativa, combinando a exploração de um processo de revisão da literatura especializada no Egito contemporâneo e textos jornalísticos, busca-se responder às seguintes questões: qual a natureza do processo de diversificação das relações externas empreendido pelo Egito? Como os desafios macroeconômicos e geopolíticos contemporâneos limitam ou oportunizam a produção de um tipo de inserção autonomista por parte do Cairo? Argumenta-se que, em meio à aceleração do declínio da hegemonia estadunidense, o Egito cultiva uma estratégia de inserção internacional de caráter autonomista, aproximando-se do chamado mundo emergente, retomando sua inserção em eixos regionais tradicionais de ação, num processo que não perpassa necessariamente pelo abandono de seus laços com o chamado Mundo Ocidental.

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Biografia do Autor

Charles Pennaforte , Universidade Federal de Pelotas

Departamento de Relações Internacionais, Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, Brasil. E-mail: charlespennaforte@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5623-7689.

Mateus José Da Silva Santos, Universidade Federal de Pelotas

Instituto de Ciências Humanas (ICH), Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, Brasil. E-mail: mateus_santos29@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7726-6136.

Publicado

2025-04-05

Como Citar

Pereira Pennaforte, C., & Da Silva Santos, M. J. (2025). A POLÍTICA EXTERNA EGÍPCIA SOB O GOVERNO AL-SISI: CAMINHOS PARA A DIVERSIFICAÇÃO DE PARCERIAS. Revista Brasileira De Estudos Africanos, 9(18). https://doi.org/10.22456/2448-3923.144853