Uma Cuba é o Bastante

Segurança Coletiva na América Latina Durante a Guerra Fria

Autores

  • Patrícia Ramos Barros Universidade de Brasília
  • Roberto Dalledone Machado Filho Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.22456/2317-8558.128821

Resumo

Apesar de novas contribuições aos estudos de direito internacional, as décadas da Guerra Fria continuam subexploradas na historiografia atual da América Latina. Removendo o conflito geopolítico da centralidade da análise historiográfica, o presente artigo visa entender o funcionamento do direito internacional na Guerra Fria através da dinâmica regional latinoamericana. Através da leitura dos artigos sobre "segurança coletiva" publicados em algumas revistas de direito internacional durante o período da Guerra Fria (em especial o American Journal of International Law e o mexicano Foro Internacional mexicano), este artigo relata a história do conflito jurisdicional entre organizações regionais e universais. Ele demonstra que a história da segurança coletiva no hemisfério começa como uma experiência de formalização da longa e distinta tradição americana no direito internacional. A defesa desta tradição serviu como base para formalizar e legalizar a projeção do poder americano nas Américas. Os latino-americanos responderam a este impulso primeiro endossando a criação de uma organização regional e de um acordo de segurança coletiva, e mais tarde usando a lei como estratégia para avançar sua posição. Entretanto, à medida que a segurança coletiva se tornou cada vez mais uma justificativa para violações da Carta da ONU, a solidariedade entre as repúblicas americanas se desvaneceu e a cooperação, apesar de um tratado regional, tornou-se virtualmente impossível. Assim, o acordo regional provou ser tanto um facilitador quanto um obstáculo para esta estratégia. Conclui-se, pois, que a história do Direito Internacional na América Latina durante a Guerra Fria foi também a história do desaparecimento do Direito Internacional Americano.

 PALAVRAS-CHAVE: Guerra Fria. América Latina. Direito Internacional. Segurança coletiva.

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Biografia do Autor

Patrícia Ramos Barros, Universidade de Brasília

PhD candidate in Law at the University of Brasília - UnB. Master in Law, State and Constitution from the University of Brasília - UnB. Bachelor in Law by the Centro Universitário de Brasília, with post-graduate studies in Public Law. She is a Voluntary Professor at the Law School of the University of Brasília - UnB, teaching International Public Law. She has experience in the area of Public Law, with emphasis on International Law, Constitutional Law, Administrative and Civil Procedural Law. Researcher for the Research Group "Criticism and International Law" at the Law School of the UnB. Researches on public health, global health, colonialism, third-world approaches, and the history of international law. Legal Analyst at TRF 1st Region, where she works as Assistant to a Federal Judge. E-mail: patricia.patinet@gmail.com

Roberto Dalledone Machado Filho, Universidade de Brasília

PhD in Law from the University of Brasília. Visiting Researcher at the Max-Planck-Institut für ausländisches öffentliches Recht und Völkerrecht (Heidelberg). Master in Human Rights and Democracy from the Federal University of Paraná with a CAPES scholarship. Professor of Public International Law and Human Rights at the Brazilian Institute for Teaching, Development and Research (IDP). He has experience in Public Policies and International Politics, having participated in the United Nations internship program in New York. Advisor to a Justice of the Federal Supreme Court.

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Publicado

2022-12-13

Como Citar

Ramos Barros, P., & Dalledone Machado Filho, R. (2022). Uma Cuba é o Bastante: Segurança Coletiva na América Latina Durante a Guerra Fria. Cadernos Do Programa De Pós-Graduação Em Direito – PPGDir. UFRGS, 17, 14–46. https://doi.org/10.22456/2317-8558.128821