Este artigo propõe uma leitura da obra The Rings of Saturn, de W. G. Sebald, a partir das reflexões críticas do autor sobre a representação da catástrofe, em diálogo com os debates contemporâneos sobre o Antropoceno. A análise evidencia como Sebald problematiza as limitações da forma romanesca tradicional diante de eventos de destruição em larga escala, sugerindo uma “história natural da destruição” que atravessa fronteiras entre história humana e natural. Articulando contribuições de autores como Amitav Ghosh, Timothy Clark e Dipesh Chakrabarty, o artigo discute o papel da literatura na mediação entre escalas individuais e planetárias, ressaltando sua dimensão crítica, estética e ética diante dos impasses representacionais e epistemológicos da crise ambiental contemporânea.