Partindo do princípio que as narrativas camusianas são “ideias encarnadas” ou “moralidades” (Paiva, 2022), o presente artigo propõe-se como uma leitura filosófico-literária do conto “A mulher adúltera”, de Albert Camus, no qual busca evidenciar as marcas de estilo que recobrem os principais conceitos filosóficos trabalhados no conto, quais sejam, as noções de exílio, que se relaciona intimamente com o conceito de absurdo, e de reino, o qual identificamos com a noção de revolta camusiana. O artigo conclui propondo uma aproximação da narrativa “A mulher adúltera” com as experiências místicas (não apenas cristãs), ainda que uma mística sem deus, na qual a única revelação seja a da beleza do mundo e da própria finitude.