O filósofo Vilém Flusser compôs uma robusta obra transdisciplinar que possui como ponto central de interesse a ação comunicativa. Haja vista a vivência do exílio e o multilinguismo do autor, a prática da tradução dos próprios textos para as línguas portuguesa, alemã, inglesa e francesa fazem de Flusser um autor autotradutor multilíngue de interesse para os estudos da tradução. Nesse artigo, apresento uma relação entre o multilinguismo de Flusser, sua experiência de exílio e a construção de um eu que se realiza nas línguas e no espaço entre elas. Ao longo do texto, estabeleço relações com autores que, assim como Flusser, traduzem a si mesmos e refletem sobre o bilinguismo ou multilinguismo, o deslocamento, a língua e a escrita.