No presente artigo, pretendemos investigar o narrador de Jacques le fataliste et son maître ([1796] 1962), de Diderot. Discutiremos sobre como essa entidade narrativa representa, ficcional e satiricamente, a figura do Deus de Espinosa. Para além do narrador, tentaremos argumentar que o romance é permeado pela filosofia espinosana, como no tempo e no espaço da narrativa. Entretanto, por mais que na primeira parte de Jacques le fataliste o narrador-autor figure um Ser onipotente e onisciente, a partir da segunda metade, ele desce do seu pedestal absoluto e se torna impotente.