David Konstan afirma que nem sempre a inveja teve uma conotação negativa na história da literatura. Em Homero, é com a inveja dos deuses que Penélope se desculpa com Odisseu pela necessidade do teste do leito. Hesíodo, em Os Trabalhos e os Dias, faz da inveja um motor de competição em função de uma inovação social. Ao longo dos séculos, a inveja ganhou matizes cristãs com Evágrio Pôntico, se especializando num pecado mortal, conforme São Tomás de Aquino. Na obra de João Guimarães Rosa, várias são as ocorrências do léxico. Em diálogo com a cultura clássica e a tradição cristã, tentarei compreender as várias faces com as quais a inveja se apresenta na obra do escritor brasileiro.