Condição abordada na construção de personagens e filmes brasileiros ao longo das décadas, o ressentimento ganhou novas formas de expressão com a ascensão do bolsonarismo no país. Casa grande (2015), de Fellipe Barbosa, exemplifica essa atualização do termo a partir da decadência de uma família rica e dos tensionamentos originados por sua aproximação forçada a pessoas de estratos socioeconômicos inferiores. Admitindo que o cinema captura e elabora características do contexto social em que os filmes estão inseridos, este texto examina como esses tensionamentos se relacionam com o movimento bolsonarista então em formação na sociedade, sua moral autoritária e o vitimismo de seus adeptos diante das transformações sociais em curso.