“Mais uma vez conto os minutos para mudar de setor. O suor escorre para minha boca. Arrumo os óculos embaixo da máscara para garantir que não têm frestas e o equipamento passa a cravar na minha pele”. O ensaio visual trata sobre a performance de longa duração Poeira Branca, realizada pelo grupo Em-cadeia no MuMA, em Curitiba. Na performance, os cinco artistas visíveis através da vitrine do museu, separados em funções e vestidos com equipamentos de proteção individual, produzem peças de gesso a partir de moldes de seus corpos, as transportam e, em um ciclo contínuo, as quebram e recomeçam o processo. Pretende-se compartilhar a experiência na perspectiva de uma das artistas, através do diário realizado durante a execução da ação, remontando a vivência do corpo. Mergulhar na imagem gerada pela ação e estabelecer diálogo com as teóricas Nancy Fraser e Marina Garcés. Na performance, é apresentado o trabalho alienado, ao mesmo tempo que o público tem acesso às etapas e é confrontado com a sequência proposta: produção incessante que, pensando com Fraser, se canibaliza. O ponto de partida é o corpo da trabalhadora, imersa no presente do tempo que resta, mas assim como Garcés propõe, investiga-se o uso de ferramentas que possibilitem a insubmissão à ideologia do tempo póstumo.