DIÁLOGOS TEXTUAIS SOBRE A LIBERDADE
DE MASSAK, DE ÉLIE STÉPHENSON, AO MANIFESTO DO SURREALISMO, DE ANDRÉ BRETON
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.139518Abstract
Este artigo propõe uma reflexão sobre textos redigidos ao longo do século 20 em espaços sociais, culturais e literários diversos, mas que têm relações ora divergentes ora contíguas entre si. Assim, Massak (1986), peça teatral do escritor guianense Elie Stéphenson, tem relações com Le Nègre du Gouverneur (1972), narrativa de Serge Patient, outro escritor guianense. Ambas têm em comum um personagem lendário da Guiana Francesa, o africano D'Chimbo. Começo por uma breve abordagem desse personagem e da narrativa de Serge Patient para depois apresentar Massak, que encena o episódio da revolta dos marrons na Guiana Francesa. Em seguida, menciono “Que foi o Quilombo dos Palmares” (1956), ensaio do poeta surrealista Benjamin Péret, para relembrar a proximidade entre marronnage e revolta dos Palmares, sua defesa da liberdade sem concessões, oposta em tudo à assimilação negra. Comento enfim como as opções da liberdade e do não conformismo absoluto aparecem no Manifesto do surrealismo (1924) de André Breton. A defesa dessas duas opções se manifesta tanto na trajetória dos autores em questão, quanto em seus textos e, ainda hoje, parece ser fundamental para as histórias e as literaturas da América Latina.
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