UM MONSTRO VÊ OS HOMENS

PONTO DE VISTA E MONSTRUOSIDADE EM “ONDE PASTAM OS MINOTAUROS”, DE JOCA REINERS TERRON

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/2238-8915.156963

Resumo

O presente artigo examina as relações entre desumanização, animalidade e monstruosidade em Onde pastam os minotauros (2023), de Joca Reiners Terron. Ambientado em um abatedouro no interior do Mato Grosso durante a pandemia, o romance articula precarização do trabalho, imigração e sacrifício animal em um suspense que apresenta o problema político contemporâneo como um confronto multiespécies. Estruturado de forma fragmentada, que vai dos sacrifícios romanos ao presente da narrativa, o livro é atravessado por uma voz não-humana, mítica e coletiva, que contribui para borrar as fronteiras entre animais explorados e trabalhadores desumanizados. Mobilizando debates sobre perspectiva e cosmopolítica (Eduardo Viveiros de Castro; Isabelle Stengers; Marco Antonio Valentim), assim como sobre monstruosidade e inumanidade (José Gil; Jean-François Lyotard), o artigo analisa o modo através do qual o romance desloca o ponto de vista humano, aproximando-o de tradições que narram a partir do monstro, como nos fragmentos atribuídos a Estesícoro e em Anne Carson. Conclui-se que o ponto de vista do monstro funciona como um operador cosmopolítico na narrativa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

2026-09-30

Como Citar

FONSECA, Luiz Guilherme. UM MONSTRO VÊ OS HOMENS: PONTO DE VISTA E MONSTRUOSIDADE EM “ONDE PASTAM OS MINOTAUROS”, DE JOCA REINERS TERRON. Organon, Porto Alegre, v. 41, n. 82, 2026. DOI: 10.22456/2238-8915.156963. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/organon/article/view/156963. Acesso em: 2 out. 2026.

Edição

Seção

Representação da alteridade na ficção contemporânea