CORPO-ILHA E BRUTALISMO COLONIAL: MEMÓRIA, DESLOCAMENTO E REPRESENTAÇÃO DE CATARINA EM RÉQUIEM PARA O NAVEGADOR SOLITÁRIO
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.156656Resumo
O brutalismo histórico, responsável por condicionar o sujeito, instituiu as diretrizes do deslocamento. Silêncio, memória e tempo articulam-se aos espaços habitados pela palavra e inserem-se nas escritas literárias em língua portuguesa. Com base nessa perspectiva, este estudo analisa a obra Réquiem para um navegador solitário, de Luís Cardoso, com ênfase na personagem Catarina, cuja corporeidade e subjetividade são cindidas pelas múltiplas dimensões do brutalismo. Cercada por fantasmas do passado, a personagem sucumbe aos limites fronteiriços impostos pela dominação colonial. Como estrangeira em espaço inóspito, a dominação que a circunscreve é representada tanto pela ilha de Timor, em desalento, quanto pelos homens que atravessam sua trajetória. Catarina é moldada na ordem da ausência. O referencial teórico fundamenta-se nos estudos de Achille Mbembe, Homi Bhabha, Stuart Hall e Paul Ricoeur.
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