ESTÉTICA E DISSENSO NA LITERATURA NEGRA CONTEMPORÂNEA
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.155894Resumo
A literatura negra contemporânea tem produzido importantes deslocamentos nos modos de elaboração da experiência negra no campo literário brasileiro. Durante muito tempo, obras de autoria negra foram lidas prioritariamente como denúncia social ou documento histórico da violência racial, o que contribuiu para o apagamento de sua elaboração formal e de sua complexidade estética. Partindo dessa problemática, este artigo analisa como Louças de família (2023), Um Exu em Nova York (2018) e Olhos d'água (2015) produzem dissenso por meio da experimentação da linguagem, da fragmentação narrativa, da opacidade e da construção imagética. A discussão fundamenta-se nas contribuições de Jacques Rancière (2009), Édouard Glissant (2021), Judith Butler (2003), bell hooks (2021), Lélia Gonzalez (2020) e Luiz Maurício Azevedo (2021). Defende-se que o dissenso presente nessas obras não decorre apenas da tematização da experiência negra, mas, sobretudo, da elaboração estética da linguagem, que desloca expectativas históricas de transparência, legibilidade e função documental atribuídas à literatura negra.
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