DICIONÁRIO DE MEDICINA POPULAR (1890)
O DISCURSO MÉDICO DA OBRA ATRAVÉS DE UMA LENTE ENUNCIATIVA
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.148778Resumo
Dicionários de medicina popular compõem um gênero de obras oitocentista marcado pela dinâmica entre ciência e medicina e o papel de poder que ambas desempenham na sociedade. Tendo por corpus o Diccionario de medicina popular (1890), do médico Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, este artigo examina, numa perspectiva primariamente linguística, o conceito de cientificidade, sua relação com o que denominamos Discurso Médico e a maneira como um aspecto de autoridade surge deste conceito e passa a se fixar em obras cujo propósito é alocar definições, como num dicionário. Para tanto, foram trabalhados autores como Austin (1990), com seu conceito de classes de forças ilocucionárias pautadas na performatividade, e Clavreul (1983), na sua perspectiva crítica da influência da medicina enquanto discurso. Por fim, uma análise enunciativa, de ordem qualitativa, foi realizada sobre trechos seletos de três verbetes do Diccionario (1890), considerando ideias dos referidos autores, mas segundo a lente dos conceitos erguidos a partir das leituras de Benveniste (1991, 1989) e Flores et al. (2008) quanto à condição neutra da terceira pessoa. Evidenciou-se, assim, as disparidades visíveis nas delimitações de objeto nos verbetes contemplados, tal como a variabilidade de definição científica de um item de ordem física (catarata) para outro de ordem mais abstrata (loucura).
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