UMA HISTÓRIA COMEÇA EM QUALQUER LUGAR
CORPO, TERRITÓRIO E TRAGÉDIAS AMBIENTAIS EM MARIA ALTAMIRA, DE MARIA JOSÉ SILVEIRA
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-8915.146206Resumo
O romance Maria Altamira, da escritora brasileira Maria José Silveira, estrutura-se a partir de duas tragédias ambientais na América Latina: o deslizamento de terra em Yungay e a construção da Usina de Belo Monte na cidade de Altamira, Pará. Na narrativa, visualizamos uma simbiose entre noções de corpo, território e os acontecimentos das tragédias ambientais enquanto materialidades de sentido atravessadas por relações de poder inseridas no projeto da modernidade. Corpo e território inscrevem-se na narrativa, enquanto esta desestabiliza sentidos de uma historiografia hegemônica. Dessa forma, a urdidura romanesca dialoga com a proposição do que se tem chamado de antropoceno (Crutzen; Stoermer, 2000; Davis; Todd, 2017) como uma teia de relações de poder que impactam as condições de vida na Terra. Mobilizamos, então, conceitos de literatura enquanto performance (Ravetti, 2019; Simoni, 2020), corpo (Anzaldúa, 2021) e território (Saquet; Silva, 2008), além das ideias de Carola Saavedra (2021) sobre literatura e possibilidades de fim de mundo – já que o(s) fim(ns) de mundo não estão calcados em um único acontecimento trágico, mas são vivenciados nas experiências de sujeitos que carregam no corpo suas inscrições, assim como a literatura pode ser vista como um corpo permeado de significados.
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