CHAMADA PARA O NÚMERO 82 - ESTÉTICA, MODA E LITERATURA: OS LUGARES PERFORMATIVOS NA FICÇÃO DOS SÉCULOS XX E XXI
Os produtos estéticos que emergiram ao longo da evolução humana têm servido como meios para representar, documentar e sensibilizar as sociedades em relação a suas expressões de linguagem, de comportamentos e de performatividade social. Isso é evidente na literatura, nas artes visuais, na dança, no teatro, na fotografia e na moda.
Nessa ordem, cada estética interage com o indivíduo de maneira transitante entre a objetividade e a subjetivação dos mundos representados. O mosaico de culturas que se manifesta nas interações entre a formação do corpo e o vestuário representa as características identitárias dos indivíduos, sendo considerado um elemento constituinte fundamental. Sabe-se que a roupa revela não apenas o gênero, mas, também, a classe social, a função, a origem e, ainda, a afiliação político-ideológica de um sujeito. A roupa é a materialização da distinção social. A estética na ficção de moda atua como um espelho que reflete e refrata a filosofia e os valores de uma ambientação histórica. A arte do vestir é um testemunho silencioso de seu tempo, como está registrado nas materialidades ficcionais de Aluísio Azevedo, Conceição Evaristo, Émile Zolá, George Simenon, Gustave Flaubert, José de Alencar, Julio Cortázar, Lobo Antunes, Machado de Assis e outros tantos. Na literatura, a moda vai além da roupa, contribuindo para a construção do cenário imaginário e dos efeitos de sentido produzidos pelos leitores, enriquecendo a estética e sua significação imaginária, desempenhando um papel significativo na construção de personagens e suas características psicológicas.
Os lugares performativos que a moda e a literatura ocupam como linguagem atuante da ação social têm múltiplas aplicações em diversos campos, como a Antropologia, a Sociologia, os Estudos de gênero (construção social de gênero), a Linguística, a História, as Artes e a Filosofia. O corpo, tanto no cotidiano quanto em suas representações sígnicas, atua como um invólucro para um indivíduo social e performático, que é revisitado na comunhão que ocorre a partir de seu estado vestido, desenvolvendo, dessa forma, uma linguagem específica de subjetivação. Os personagens da moda ficcionam identidades através de escolhas estéticas que dialogam com estilos de vida, já catalogados por este universo, por meio da linguagem das roupas, dos acessórios e dos contextos, marcas se posicionam e se comunicam criando vínculo com seus vedores.
Interessam para este dossiê pesquisas que contemplem as múltiplas significações de produtos culturais e realidades que possibilitem a compreensão dos lugares performativos e suas relações estéticas nas Artes visuais, nas cartografias antropológicas, nos processos filosóficos reinvindicatórios da decolonialidade, nos movimentos econômicos, na moda e na literatura nos séculos XX e XXI.
Artigos em língua estrangeira são aceitos. Para mais informações, visitar: https://seer.ufrgs.br/index.php/organon/information/authors
Organizadores: Prof. Daniel Conte (UFRGS), prof. Ana Cleia Christovam Hoffmann (Universidade Feevale), prof. Ana Godinho Gil (Instituto de Filosofia da Nova Lisboa)
Submissões de artigos, textos para seção livre e resenha: de 13/02 a 07/07.
