Antropologia do cotidiano

Narrativas e poéticas visuais na memória e representação de uma infância rural

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1984-1191.145836

Palavras-chave:

História e memória oral, Poética cotidiana, Poéticas/narrativas visuais, Decolonialidade, Antropologia da arte

Resumo

O artigo parte de uma perspectiva desobediente para representar memórias de um lugar de não-interesse quando visto pelas lentes do objetivismo positivista. Tratar de lugares da infância rural de pessoas não-celebridades, não interessa à ciência positivista. Todavia, tempos outros são os atuais, em que a história passa por revisionismo, momento em que, aos anônimos é dado voz. A retomada decolonial busca dar voz aos silenciados e anônimos deixados à margem como despossuídos e irrepresentáveis. O artigo apresenta lugares de infâncias outras, objetos/artefatos, alimentação, arquitetura rudimentar, meio ambiente. Rememorar infâncias e lugares tidos como não-lugares (Certeau) é um ato de desobediência (Vergès). Para produzir poéticas do cotidiano outrora vivido, porém, nunca esquecido, utiliza-se fotografias de espaços e modos de vida para que estes possam, enquanto memória representada, resistirem ao tempo. Utilizou-se a perspectiva teórica das narrativas orais e de vida para representar lugares da infância como poéticas do cotidiano. Conclui-se que falar sobre micro localidades, contribui para uma história mais dinâmica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Walter Rodrigues Marques, Universidade de São Paulo (USP)

Doutorando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). Mestre em Educação - Gestão de Ensino da Educação Básica, pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Ensino da Educação Básica, da Universidade Federal do Maranhão (PPGEEB/UFMA, 2019). Especialização em Metodologias Ativas e Tecnologias Educacionais Digitais, Universidade de Coimbra-Portugal (2022). Especialista em Psicologia da Educação pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA, 2022). Especialização em Educação Especial e Neuropsicopedagogia (2016) e, Especialização em Psicologia Hospitalar e da Saúde (2017) pela Universidade Cândido Mendes (UCAM). Especialização em Arte, Mídia e Educação pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA, 2021). Licenciado em Física, pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA, 2022). Licenciado em Educação Artística - Artes Plásticas (UFMA, 2012). Bacharel em Ciências Sociais (UFMA,2024). Bacharel em Psicologia pela Faculdade Pitágoras (2015). Bolsista PIBID/UEMA 2014/2015 - Supervisor. Bolsista Voluntário de Iniciação Científica PIBIC/UFMA (2016-2017). Professor de Arte do Estado do Maranhão. Membro da Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (ANPED); da Federação de Arte-Educadores do Brasil (FAEB). Membro da Associação Maranhense de Arte-Educadores (AMAE). Participou do Grupo de Estudo e Pesquisa Arte, Cultura e Educação (GEPACE/UFMA); participa do Grupo de Estudo e Pesquisa Investigação Pedagógica de Estudo Afro-brasileiros (GIPEAB/UFMA) e, do Grupo de Pesquisa GPARTEDU: Grupo de Pesquisa Arte na educação, na formação de professores e no currículo escolar (FE-USP). Bolsista FAPEMA (Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão). Pesquisa: indígenas e o contato; educação museal; arte/educação; arqueologia/antropologia; cerâmica; artes visuais; tecnologia e educação.

Referências

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Artes de fazer. 3. ed. – Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. - l. ed. - Rio de Janeiro: LTC, 2008.

GIRALDELLI, Mariana Aparecida; ALVES PEREIRA, Osvaldo; DOS SANTOS, Samuel Felipe; MIRELA AGUIAR BRASIL; STEFANI KAROLINE TEODORO PINHEIRO. Técnica de alvenaria adobe: Reprodução do método construtivo com e sem o uso de fibra vegetal. Uniciências, [S. l.], v. 25, n. 1, p. 10–13, 2021. DOI: 10.17921/1415-5141.2021v25n1p10-13. Disponível em: https://uniciencias.pgsscogna.com.br/uniciencias/article/view/8932. Acesso em: 15 fev. 2025.

KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. – 1. ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. – 2. ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

LIMA, Romilda de Souza. O estado da arte sobre alimentação na revista Oikos: artigos

publicados entre 1981 a 2021. Oikos: Família e Sociedade em Debate, v. 32, n. 3, p. 1-

, 2021. DOI: https://doi.org/10.31423/oikos.v32i3.13080. Acesso em: 16 fev. 2025.

MIGNOLO, Walter. Histórias Globais/projetos Locais. Colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

MUNIZ, Érico Silva Alves; DIAS, Edson Gabriel. Farinha, tradição alimentar dos povos da floresta. Amazônia. Revista de Antropologia, v 13, n. 1, 2021. DOI: http://dx.doi.org/10.18542/amazonica.v13i1.9611. Acesso em: 16 fev. 2025.

PORRO, Roberto. A economia invisível do babaçu e sua importância para meios de vida em comunidades agroextrativistas. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Cienc. Hum., Belém, v. 14, n. 1, p. 169-188, jan.-abr. 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/pTzRmXNGf5FVsH8WZjwyc5S/?lang=pt&format=html. Acesso em: 14 fev. 2025.

SANTOS, C. de J. P. dos; SILVA, F. das C. dos P.; MARTINS, A. C.; SILVA, C. I. A. da; COSTA, P. R. da; MENEZES, L. L. G. de; BAIA, L. M. dos S.; MOTA, S. C. F. Cosmoperceber afrosaberes de quebradeiras de coco babaçu: entre memórias, lutas e (re)existências. Cuadernos de Educación y Desarrollo, [S. l.], v. 16, n. 13, p. e6773, 2024a. DOI: 10.55905/cuadv16n13-030. Disponível em: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/6773. Acesso em: 14 fev. 2025.

SANTOS, C. de J. P. dos; SOUZA, L. R. G.; COSTA, R. C.; PAIXÃO, S. C. S.; RODRIGUES, K. B. de M.; PROTÁZIO, J. G.; MOTA, R. de M.; FARIAS, S. R. A.; BAIA, J. G. dos S. Mulheres de luta: narrativas das quebradeiras de coco babaçu de Pedrinhas - MA em intersecções com o clube de mães. Cuadernos de Educación y Desarrollo, [S. l.], v. 16, n. 13, p. e6772, 2024b. DOI: 10.55905/cuadv16n13-029. Disponível em: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/6772. Acesso em: 14 fev. 2025.

SANTOS, Daniel Pinheiro; BESSA, Sofia Araújo Lima. O uso do adobe no brasil: uma revisão de literatura. Mix Sustentável, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 53–66, 2020. Disponível em: https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/mixsustentavel/article/view/3741. Acesso em: 15 fev. 2025.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. A virada testemunhal e decolonial do saber histórico. – Campinas: SP: Editora da Unicamp, 2022.

VERGÈS, Françoise. Decolonizar o museu: programa de desordem absoluta. – São Paulo: Ubu Editora, 2023.

VIEIRA, Suzane de Alencar. Fotografia como testemunho. Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, SP, v. 1, n. 1, p. 48–66, 2009. DOI: 10.20396/proa.v1i1.16411. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/proa/article/view/16411. Acesso em: 16 fev. 2025.

Downloads

Publicado

2025-04-25

Como Citar

MARQUES, Walter Rodrigues. Antropologia do cotidiano : Narrativas e poéticas visuais na memória e representação de uma infância rural. ILUMINURAS, Porto Alegre, v. 26, n. 70/1, p. 196–218, 2025. DOI: 10.22456/1984-1191.145836. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/145836. Acesso em: 15 set. 2026.