Cronicamente online: um jogo de forças entre permanência nas redes e ubiquidade das TICs

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1984-1191.142830

Palavras-chave:

Cronicamente online; redes sociais; processos de subjetivação; transformação social;

Resumo

Este artigo propõe uma análise crítica do fenômeno cronicamente online, estabelecendo uma comparação com o conceito de disforia de gênero, conforme abordado por Paul Preciado (2023). Argumenta-se que ambas as condições, ao serem tratadas sob a ótica médica, apagam as tensões tecnológicas, políticas, sociais e culturais que modulam esses fenômenos. O cronicamente online é visto como nova forma de sociabilidade, especialmente entre os jovens, em um contexto de capitalismo de vigilância (Zuboff, 2018) que transforma a atenção em um recurso lucrativo. Este artigo sugere que estar constantemente conectado não deve ser entendido apenas como uma escolha individual ou uma patologia, mas como parte constituinte de um modo de acumulação contemporâneo baseado no funcionamento da cibernética. Assim, ao deslocar a análise da patologização para uma perspectiva política, explora-se o jogo de forças entre a medicalização e a normalização do comportamento digital, e como a permanência online é, ao mesmo tempo, incentivada e patologizada pelas estruturas sociais e econômicas atuais.

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Biografia do Autor

Marta Mourao Kanashiro, Universidade Estadual de Campinas

Marta M. Kanashiro atua na Unicamp como: *pesquisadora (Pq-B) do Laboratório de Jornalismo (Labjor) , *professora do Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural (o qual coordenou entre 2017-2020), *coordenadora do Grupo de Pesquisa Informação, Comunicação, Tecnologia e Sociedade, do qual já participava como fundadora e pesquisadora desde 2013, e *coordenadora do Grupo Dispaara (Dispositivo Político Afetivo Antirracista e Amarelo). Junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), é professora com credenciamento temporário: na Graduação em Ciências Sociais e Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA). Entre 2009-2022 foi pesquisadora da Rede Latinoamericana de Estudos em Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Rede Lavits) da qual também é membro fundadora, participando atualmente do Conselho Consultivo (desde 2022). Concluiu pesquisa de pós-doutorado junto ao Surveillance Studies Centre, do Departamento de Sociologia da Queen's University (Canadá), onde trabalhou como visiting scholar entre 2014 e 2015. Desde 2020, participa também: *de grupos de estudo, atuação e formação em psicanálise, tendo especial interesse na escola inglesa de psicanálise e na "teoria do pensar" de Wilfred Bion; e, desde 2022, *de grupos voltados para temas relacionados a racialização de pessoas amarelas, debates antirracista, decolonial e contracolonial. Interesses, pesquisas e trabalhos mais recentes voltam-se também para temas relativos à: Tecnopolítica e capitalismo contemporâneo; Inteligência artificial e extração de dados; Algorítmos, educação e mercado; Tecnologias de informação e interseccionalidade; Tecnologia e processos de subjetivação; Movimentos sociais, ativismos e tecnologia. Informações sobre os grupos de pesquisa disponiveis no DGP CNPq:Grupo de Pesquisa ICTS: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/194454Grupo de Pesquisa Dispaara: http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/798942

Bianca Cavichioli Schuermann de Barros, Unicamp

Bianca Cavichioli Schuermann de Barros é estudante de graduação em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp, Brasil) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa Informação, Comunicação, Tecnologia e Sociedade.

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Publicado

2024-12-24

Como Citar

KANASHIRO, Marta Mourao; CAVICHIOLI SCHUERMANN DE BARROS, Bianca. Cronicamente online: um jogo de forças entre permanência nas redes e ubiquidade das TICs. ILUMINURAS, Porto Alegre, v. 25, n. 69, p. 195–216, 2024. DOI: 10.22456/1984-1191.142830. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/142830. Acesso em: 18 set. 2026.