(FÉ)MININA: VEM(SER) JUREMA ÌSÉGÚN: o protagonismo negro transexual e a subjetivação em contextos de privatização da liberdade
Palavras-chave:
Interseccionalidade, resistência, feminilidade, subjetivação, pedagogia críticaResumo
Este artigo parte da escuta de Jurema Ìségún – adolescente negra, transexual e periférica – para problematizar os processos de subjetivação sob privação de liberdade e as fendas de resistência que emergem nesses contextos. O estudo investiga como práticas de poder disciplinar e biopolíticas articulam violência e invenção subjetiva no Centro de Socioeducação João Luiz Alves (JLA/DEGASE) no Rio de Janeiro, espaço em que raça, gênero e classe se entrelaçam sob a lógica da norma institucional e da necropolítica. A pesquisa combina pedagogia, psicanálise, teorias queer, existencialismo, com análise documental e leitura interseccional fundamentada em perspectivas decoloniais. Demonstramos que a noção de sujeito suposto suspeito (Guerra, 2022) desloca eticamente a escuta analítica; que a formulação da fé cuir emerge como um gesto de invenção indisciplinada; e que as pedagogias do gozo e as geografias da liberdade se inscrevem como contrapontos à mortificação institucional. O caso de Jurema Ìségún evidencia como o corpo negro e trans, ao se inscrever na linguagem, produz um saber de resistência que desafia os dispositivos coloniais do cuidado. Propomos, por fim, uma escrita do Sul que entrelaça análise, escuta e fé cuir, sustentando uma ética do impossível capaz de reconfigurar práticas clínicas e políticas socioeducativas.
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